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Quinta-feira, Julho 20, 2006

O TEXTO ABAIXO FOI ESCRITO POR MIM PARA O CADERNO ESPECIAL DA COPA DO MUNDO, VEICULADO NO MOGI NEWS DIA 9 DE JUNHO, INÍCIO DO TORNEIO. POR MOTIVOS TÉCNICOS, O CADERNO PASSOU POR UMA REDUÇÃO DE PÁGINAS E OS EDITORES DESTE ESPECIAL - EU E MEU AMIGO DÊNIS - OPTAMOS POR LIMAR NOSSAS DUAS COLUNAS. SEGUE O TEXTO:

Veterano de Copas

Disputar Copa do Mundo é mais que representar o Brasil dentro de um campo forrado pela grama e delimitado por quatro linhas brancas. É mais que vestir o sagrado manto amarelo e colocar em jogo nossa condição de melhores do mundo. Eu, que já joguei tantas Copas, sei bem como é carregar essa responsabilidade.
Em 1986, na minha estréia, tentei de tudo para que ganhássemos nossa segunda Copa no México. Passes para o Careca marcar os gols, ajuda para o Elzo e o Alemão na marcação e um apoio moral para o Zico, que vinha de uma séria contusão e precisava de ajuda.
Em 1990, tentei demover o Lazaroni, de todos os modos, de continuar com aquela idéia ridícula de manter o time com líbero. Se convencer o técnico a mudar o time, como ocorreu em 1958 e 1970 deu certo, porque não agora? Mas o homem era teimoso e a cada argumento meu ele respondia com umas palavras difíceis e que eu não entendia ¿ overlaping, ponto futuro ¿ parecia o Cláudio Coutinho falando. Definitivamente, era um caso perdido. Uma derrota injusta, e logo para os hermanos, parecia o castigo adequado para ele, mas não para nós.
Em 1994, finalmente nossos esforços deram resultado. Afinal, tínhamos Romário. Meus passes foram fundamentais para que o Baixinho brilhasse e nos tornássemos campeões. Afinal, saíamos daquela incômoda fila, que crescia ameaçadoramente e ameaçava nos tornar um Uruguai da vida.
Em 2002, também ajudei o Ronaldo a superar as críticas e o deixei várias vezes na cara do gol. Ele foi artilheiro e igualou o Pelé em número de gols em Mundiais. E meus esforços foram devidamente recompensados com as boas atuações e os gols que marquei contra a Inglaterra, justo no jogo mais difícil para o Brasil na Copa.
E 1998? Prefiro esquecer. O Zagallo teve a pachorra de me colocar no banco, preferindo um já combalido Bebeto, e nem quando o Fenômeno teve aquele piripaque ele se animou a me escalar. Assisti a derrota para a França de camarote e, admito, me senti vingado.
Mas disputei ainda outras Copas do Mundo. Eu entrava em campo ciente da responsabilidade que carregava. Em todos os jogos, eu deveria conduzir o time às vitórias tão esperadas. Cada campinho foi meu Estádio Olímpico. Cada árvore ao redor era uma arquibancada repleta de bandeiras, buzinas, choro e risadas. Os adversários da outra vila, descalços e de camisas puídas eram, na verdade alemães, argentinos e italianos, zagueiros implacáveis ou atacantes velozes e oportunistas, prontos a nos derrotar a qualquer vacilo. Mas estávamos sempre prontos, envergando a mítica Canarinho, marcando os gols que o povão pedia, nos bares, nas ruas, nas casas. A euforia era completa e, a cada gol, podia ouvir o grito de alegria das dezenas de milhões de brasileiros felizes.
E agora, são mais de 180 milhões de vozes, à espera de uma nova vitória, ávidas por cantar e gritar durante todo o Mundial. Eu já estou na Alemanha, de corpo e alma, pronto para entrar em campo, marcar gols e ajudar o Brasil a conquistar o hexacampeonato. Que assim seja.

postado por Fábio, 5:11 PM |