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Terça-feira, Dezembro 27, 2005

Estradas, trilhas, caminhos

A estrada é uma poeira só. E à medida que passavam os carros, uma nuvem avermelhada cobre a visão. Olho para trás e vejo que o ônibus também joga essa nuvem para quem vem atrás. Do outro lado, porém, a visão está mais favorecida. Dá pra ver as muitas montanhas, os cursos d'água, as construções simples mas acolhedoras.
Com o correr dos quilômetros, o caminho volta a ser tranqüilo, sem tanta poeira. Neste trecho é possível ver toda a área com perfeição. Tudo muito verde, muito bonito.
Às vezes, nossa vida é como este caminho, chego a pensar. Por algum motivo nossos olhos se cobrem e, de repente, eis que vemos tudo. E todas as coisas soam claras, ganham sentido.
Há caminhos difíceis de se encontrar, trilhas escondidas entre folhas de arbustos, daquelas que não vemos à primeira vista, mesmo estando tão perto de nós. É aquele caminho que se encontra apenas quando não se quer mais procurar.
Mas há rotas que, logo depois de descobertas, se mostram largas, viçosas e limpidas. Tão cheias de beleza e vitalidade, com muito limo a ser criado. Caminhos que se deseja sem fim, por tão prazeroso que é poder percorrê-los. E também há caminhos que nos movem para frente, nos impelem a continuar sempre. Minimizam todas as dificuldades, servem de alento ao cansaço e eliminam todos os obstáculos. Estradas que tornam qualquer travessia, por mais longa que seja, uma experiência ímpar.
Caminhos que encontramos, mesmo quando não mais o procuramos. Estes são os mais belos, mais especiais, sempre iluminados por estrelas que ali estão para brilar por eles.
E então o tempo, esse conhecido, parece congelar. Como se quisesse eternizar os minutos, guardá-los para posteridade, com a serra, as árvores, os rios e a canção.
Sim, porque as canções estão sempre presentes. E há sempre uma especial para o momento. Ou surge alguma, do nada, e domina os pensamentos, colando-se definitivamente àquele momento.
Não faltam também conversas. Trilhas, pousadas, viagens futuras... os assuntos se sucedem e em cada um deles a mesma marca de alegria e leveza.
A estrada segue. E em dado momento não se vê o seu final, apenas as paisagens, que insistem em ser tão belas quanto a canção escolhida para o momento. Talvez, como ambas, sejam os dias que estão por vir.

postado por Fábio, 3:03 PM |