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Quarta-feira, Novembro 30, 2005
Cadernos
As folhas já estão no fim, as capas já estão amolecidas, e o espiral anda torto como os galhos de uma árvore, denunciando o quanto aquele caderno foi usado, carregado. Ele já serviu de estofo para os arroubos, a ansiedade ou o simples desejo de transformar passagens belas em linhas escritas. Mesmo assim, há alguns espaços, e eles vão sendo implacavelmente coberto, às vezes lentamente, mas na maior parte das vezes de forma frenética, em momentos de isolamento ou solidão, de alegria ou tristeza, em meio à música ou afogado no silêncio.
As idéias são transcritas em letras trêmulas, quase ilegíveis. Um pouco pela inabilidade mas muito pela emoção, pelo afã de tentar chegar o mais perto do intangível: transcrever emoções, dissecar sensações, descrever sentimentos. A cabeça gira como um pião, as idéias transitam em torno de si mesmas e ao redor de mil coisas. São discos, livros, DVDs, cartas, bilhetes, objetos que se multiplicam para afinal convergirem em um mesmo ponto: a lembrança de uma voz doce e lindos olhos verdes. E também de momentos "brilho eterno", que vão embalando as semanas que caminham mais devagar que de costume.
As palavras vão aos poucos se acomodando nos espaços vagos do caderno, que acompanhou praticamente todos os passos da história que hoje acolhe. As frases começam a se formar, enquanto são intercaladas por planos, expectativas. E eis que todo texto no caderno se vê acompanhado de pequenos projetos, como se os momentos vindouros pudessem ser planejados tal e qual uma planta de construção. Ou montados como um quebra-cabeças.
postado por Fábio, 6:58 PM |
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Quinta-feira, Novembro 17, 2005
Há algo no modo como ela anda, como meneia a cabeça, que me deixa feliz e ao mesmo tempo perturbado. Algo no tom de sua voz que é pura melodia, seja quando ri, canta, quando grita ou chora. E mesmo quanto está em silêncio, porque seus olhos falam por ela, e a voz é maviosa. Porque seus olhos verdes e vivos dizem tudo o que é necessário. E também tudo o que eu queria dizer.
Existe alguma coisa na sua maneira de caminhar, de se mover, que é como se o mundo andasse em slow motion ou todos os sons fossem ruídos quase inaudíveis. Ou ainda: como se o mundo fosse uma porção ínfima do nosso espaço, muito maior, mais rico, colorido e sonoro. Eu olho para o mundo que existe por trás da janela e ele é desbotado.
Há algo no modo como pensamos que lembra coreografias bem ensaiadas. Ou a imagem no espelho, em sincronia perfeita com nossos movimentos. As pausas, suspiros, caretas, risadas, muxoxos e resmungos. E os beijos, abraços, piadas internas. Tudo guardado devidamente em cada segundo, em cada fotografia, em cada espaço.
Em algum lugar deve haver explicação para o que se move, o que se ouve, o que se diz. E também para o que sente, cada vez maior e mais forte. E também difícil de se explicar, porque é algo que não se diz, apenas vive.
postado por Fábio, 9:17 PM |
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