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Quarta-feira, Junho 29, 2005

"Dá pra ver uma réstia de luz, sim", constatou Cláudio. E era possível vê-la passar pelas frestas deixadas pelas nuvens. Em pouco tempo, a Lua haveria de aparecer. A impressão que se tem é a de que ela vai se esgueirando, embusca de uma brecha, um espaço onde ela possa ficar e iluminar a todos.
Alguns segundos e, ao olhar novamente para o céu, se verá outro cenário: já não há mais nuvens. Todos jogadas pelo vento, vão se afastando. A Lua emite uma luz tão bela e intensa, que por vezes parece mudar de cores. A Lua é a mesma para todos. Agora, ela está aqui, mais tarde visitará outras pessoas. E depois outras, e mais outras. Mas interessa a Cláudio apenas saber se Luiza a vê agora, neste exato momento. Ele checa as horas e descobre que é possível. "Ela poderá ver a mesma Lua colorida e fugidia que contemplei? Ou enxergará outra?", está era sua dúvida. "Será que olha no mesmo momento que eu, pensando nas mesmas coisas?".
Cláudio abre um pouco mais a janela e estica o pescoço, para tentar observar o céu. Vê estrelas ainda não ofuscadas pelo luar, que tentam ganhar seu espaço. Ao ver as estrelas, tão longe uma das outras, lhe vêm à mente as grandes distâncias. E uma belíssima estrela, tão longe mas ainda assim presente em lembranças fortes. A Lua agora é soberana no céu e a tudo ofusca.
Ele continua a olhar para o céu, imaginando pensamentos sincronizados, frases em uníssono, fruto de mentes que pensam e sonham juntos. De repente as nuvens retornam e cobrem as poucos a Lua. Sua luz, no entanto, ainda passeia pelo céu, refletindo onde houver espaço. Fecha a janela e sente reverberar dos ouvidos até o fundo da mente uma voz doce. "Veio com o Luar", imaginou ele. É talvez uma uma forma de saber que ela também está a observar o céu.

postado por Fábio, 12:08 PM |