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Segunda-feira, Maio 30, 2005
Já tinha um texto pronto para postar aqui, mas hoje acordei com um céu tão supimpa que me lembrei de um texto que escrevi para este blógui, no ano passado. Ele foi postado em 18 de maio de 2004
Do outono
Abrir a janela logo cedo é um ritual que pode reservar algumas surpresas. Como quando você acorda ofuscado pela claridade que surge de fendas na janela mas, quando a abre, encontra o céu nublado. Por isso, talvez, quando afastamos a cortina e sentimos a luz do sol, junto com a brisa da manhã no nosso rosto, a sensação é um misto de júbilo e alívio.
Não há clima melhor que o das manhãs de outono. Céu limpo, sem uma nuvem sequer, tendo a companhia somente do velho astro, bola de fogo nos protegendo do vento frio. Nada de chuva, nada de mormaço nem de suor. Depois de uma noite fria, embrulhado em cobertores, a vontade de se levantar é quase zero. Mas quando levantamos... ah, que maravilha!
A primavera é bela apenas onde nascem flores. Por aqui, não as vemos com freqüência. Fora o excesso de chuvas, que também nos aflige no verão. O inverno é inclemente e a cena que me vem à cabeça são das pessoas sem teto e sem cobertor, tiritando nas ruas buscando o calor dos jornais, ou mesmo o humano. Por isso o outono.
Folhas amareladas não têm a mesma beleza em outras estações e em apenas uma época do ano é possível caminhar vagarosamente nas ruas sem se exasperar. Os beijos no outono não se tornam tão lascivos como no verão. Nem demasiado doces, como na primavera. Mas são os mais verdadeiros, porque exprimem sentimentos e anseios que cultivamos durante todo o ano, e não apenas por alguns meses. Também não são uma proteção térmica, como os do inverno.
As músicas ficam mais belas no outono. Os poemas, mais intensos. Viver o outono é viver dias melhores e também querer ser uma pessoa melhor.
postado por Fábio, 10:12 AM |
Quarta-feira, Maio 11, 2005
Minha vida daria um post
Porque na falta de sol, ao cair a noite, acende-se uma lanterna. É a lembrança, que guardamos em um canto especial do coração e agora o deixamos à tona. Assim, vamos iluminando o caminho, que antes andara escurecido, com seu traçado delimitado apenas pelo som dos meus passos. E eu caminho. Caminho como sempre, mas penso como nunca. Em uma voz doce, em belos olhos verdes, uma combinação de pessoa toda especial, como mesmo minhas mais imaginativas perspectivas não conseguiram dar conta.
O rosto fica pesado pela saudade, mas sempre há espaço para um sorriso, provocado por belas lembranças. Que hão de vir logo, é o se costuma pensar em momentos como esse. Hoje não poderia ser diferente.
E tudo ganha um significado especial, por tudo o que representou, seja como trilha sonora, plano de fundo ou figurante de uma história. Estão todos aqui, está tudo perto, ajudando-me a lembrar, a sentir cada vez mais saudades ou a aguardar seu retorno.
O vento que bate e machuca sabe também ser suave. Se venta mais forte, eu fecho os olhos, mas não oculto meu rosto. É como se o vento viesse para me aliviar, para tirar um pouco do meu peso. E talvez seja assim porque o vento vem de longe, trazendo as mensagens que quero ver, ler e ouvir. E assim sigo no caminho antes escurecido. Porém, desta vez mais feliz, porque o vento trouxe as mensagens vindas de longe, uma lanterna a mais para iluminar meu caminho.
postado por Fábio, 11:35 AM |
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