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Quarta-feira, Fevereiro 23, 2005
MENINAS BEGES
Débora Falabela
Tá, ainda não terminei a história, mas é que as coisas estão apertadas por aqui. Prometo que posto em breve...
postado por Fábio, 8:14 PM |
Sábado, Fevereiro 05, 2005
Histórias de estação - II
Ela esfregava impacientemente as mãos pequenas na tira que segurava sua bolsa. Aguardava o trem, que não chegava nunca. Queria sair dali de qualquer jeito, se afastar o quanto antes daquele lugar. Em pé, na plataforma da estação, lembrava do verdadeiro calvário pelo qual passara antes de chegar ali: fora assaltada, discutira com motoristas mal educados e com moleques de rua.
Mas nada daquilo se comparava ao acontecimentos anteriores, reais motivos da sua aflição e tristeza: a notícia que recebera e pudera comprovar a respeito de seu homem, por quem tantas vezes suspirara. Lembrou-se de quantas noites passara em claro, abraçada ao travesseiro, pensando nele.Sonhava com os beijos que daria nele, encantador, em caminhadas ao parque, de mãos dadas.
Dele, esperava qualquer coisa, menos ser enganada daquela forma, impiedosamente apunhalada pelas costas, diante de todos.
Em pouco tempo a história se espalhou. Se tornou alvo de escárnio pelo colegas de trabalho e de comiseração pelas amigas da faculdade. Na sua rua, todos começavam a cochichar assim que ela surgia. Não faltava quem a apontasse na rua, quando ia visitar os avós em uma pequena cidade do litoral fluminense. "Até aqui sabem da história", constatou, revoltada. E assim foi durante vários dias.
E agora, depois de duas semanas, a lembrança ainda a atormentava. Caminhava pela estação, tentando imaginar como alguém poderia ser tão falso, tão dissimulado. Lembrou de todas as flores que ganhara em um ano de relacionamento e passou a odiá-las, uma a uma. Botão por botão, pétala por pétala, arautos da falsidade.
Descobre, ao perguntar a um funcionário, que o trem havia passado há pouco e que o próximo deveria demorar. Não havia o que fazer, a não ser sentar no banco da estação.
CONTINUA...
postado por Fábio, 3:42 PM |
Terça-feira, Fevereiro 01, 2005
Histórias de estação - I
Ele caminhava a passos lentos, olhando para os pés, como se eles fossem seu único horizonte. Meneava a cabeça negativamente a cada cinco minutos, como quem se recusa a acreditar na sua sina.
Saiu de sua casa, como quem caminha para o patíbulo de uma forca. Seguiu em direção à estação central de trens, onde partiria para seu trabalho. Atravessou as ruas sem olhar para os lados, sem reparar se passavam carros por ali. Mal percebeu o Gol que vinha em alta velocidade e passou ao lado, quase o acertando. Ele continuou com a caminhar lentamente.
A cada passo, a cada balançar de cabeça, um pensamento fixo martela sua cabeça: não mais se entregar, não mais abrir a guarda. Acreditar nas pessoas, jamais.
Entrou na estação. Foi ao guichê e comprou seus bilhetes. Reduziu o passo e se perdeu em pensamentos, em frente ao bloqueio. Um senhor de idade e uma adolescente o chamaram a realidade e só então ele percebeu que estava atrapalhando a passagem das pessoas. Logo atrás dele, se formou uma pequena fila para embarcar. Envergonhado, passou o bilhete no bloqueio e se dirigiu à plataforma.
Enquanto aguardava seu trem, continuou perdido em pensamentos: sempre foi um cara precavido, esperava cobras, lagartos, lanças e veneno de todas as pessoas, mas nunca imaginou que o golpe mais forte viesse justamente da voz mais suave e bela que já ouvira. Sentia-se derrotado pelo mundo, pela vida. Um lutador de boxe, prestes a jogar a toalha.
Continuou a manter seu olhar fixo no chão, mesmo quando se sentou no banco da estação. Ele abriu os jornais, já amarrotados pelas suas mãos impacientes. Não passou além de algumas linhas da primeira matéria e desistiu. Amassou de uma vez o jornal e o atirou na cesta de lixo.
CONTINUA...
postado por Fábio, 12:20 PM |
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