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Layout by Luciana C.
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Terça-feira, Dezembro 28, 2004
O dia nasce ensolarado, quente e bonito. Aos poucos, os ouvidos de Jorge se abrem, mas os primeiros sons que vêm à mente não são o cantar de pássaros, tampouco o roncar de motores e buzinas de carros. Ele ouve conhecidas valsinhas, em que é possível ouvir pianos de brinquedo. Ele sorri, pula da cama e se dirige ao espelho.
As músicas e personagens das quais Jorge lembra durante o dia são um elo e ao mesmo tempo um pano de fundo para os dias claros que tem vivido. Dias de céu azul e olhos verdes, de canções e filmes, de lembranças e saudades. São também uma forma de encurtar as distâncias e fazer o tempo correr mais rápido.
Olhou pela janela e pensou não em ouvir e cantar, mas em fazer uma canção. Jorge olhou para o violão impresso na capa de uma de suas revistas. Quis puxá-lo da página e trazê-lo para si. Ele aprenderia os acordes, as notas, os tons. E comporia uma música para ela, tão linda que a deixaria sorridente. Jorge diria então: "Você pode contar a todo mundo que esta é sua canção" e ela seria feliz sempre, não se importando de ele ter colocado em palavras o quão maravilhoso era tê-la a seu lado.
Jorge pegou a revista e a levou consigo a seu trabalho. Segurando firme a revista com a foto do violão, imaginou versos, estrofes, que desembocavam mais uma vez na saudade que vinha sentindo. E seus pensamentos ficaram nela pelo resto do dia, com uma bela e antiga canção ao fundo.
postado por Fábio, 12:22 PM |
Quinta-feira, Dezembro 23, 2004
Fui viver e já volto. Feliz Natal para todos!
postado por Fábio, 11:01 AM |
Sábado, Dezembro 18, 2004
A vida pode não ser tão harmoniosa quanto os filmes, mas pode se revelar leve e suave, como poucas películas sabem ser. É, ainda, mais duradoura e também mais consistente. A vida é mais parecida com um romance em livro, com suas descrições minuciosas, suas narrativas longas e horizonte mais amplo.
Filmes e romances são agradáveis de se ver, ouvir e contar. Também é gostoso sentar e escrever uma bela história, mas é ainda mais prazeroso construir a sua própria. E nela caminhar, percorrer distâncias e enxergar uma felicidade de encontro a outra, conhecendo-se mais. E se reconhecendo.
Podemos então construir nosso roteiro. Não com papel e caneta, mas com sorrisos e olhares. A nos acompanhar, um céu lindo em dia ameno. Ou aquela avenida salpicada de luzes, cores e sons, em uma noite de passeio.
E assim o roteiro vai se completando. Com linhas a mais, alguns parágrafos a menos. Sempre com os erros sendo corrigidos. Porque os tempos são duros para os sonhadores, mas um pouco mais suaves para quem transcreve sonhos. Seja numa folha de papel, num trecho de filme ou mesmo no dia-a-dia.
postado por Fábio, 10:51 AM |
Quarta-feira, Dezembro 15, 2004
Lua Nova
Lua Nova me chamou pra sair
E viver a noite que preparou para nós
Para dizer que um dia, qualquer dia
Nós vamos poder cantar
Lua nova me tirou pra dançar
Tentando me fazer esquecer
Cobiças mil, tristezas vãs
E um sentimento vil
Vida passa, mas a noite fica
E eu aqui tentando ver
Para onde vais no fim da noite
Nos deixando a sós
postado por Fábio, 11:12 AM |
Quarta-feira, Dezembro 08, 2004
Uma tarde
Um acorde e as primeiras frases da canção embalam um dia feito de calor e frio, de sol e chuva. Cria-se uma tarde em viagens e atrasos, mas também com proximidade, afeto e boas lembranças.
Existem tardes quentes que se arrastam lentas e pesarosas. Outras, contudo, são amenas e agradáveis como uma canção especial ou como um show há muito esperado. São felizes como mãos dadas ou abraços num comboio do metrô. E para isto,
bastam as canções.
Canções que fazem lembrar de encontros, descobertas e sensações compartilhadas. Que nos lembram troca de mensagens e passeios à noite, entre luzes coloridas e barulho de carros.
Manhãs, tardes e noites se condensam em poucas horas quando a música toca, quando os versos são encaixados em cada situação. Faça chuva ou faça sol, ali estão a melodia para nos fazer lembrar que o mundo pode parar por uns instantes e nós possamos viver além da rotina, dos compromissos.
As canções se vão, mas na mente elas ainda reverberam, como lembrança dos dias idos. E como trilha dos momentos futuros.
postado por Fábio, 12:06 PM |
Quinta-feira, Dezembro 02, 2004
O Trem
Existe algo na linha férrea, mas não sei ao certo o que é. Alguma coisa que a vista perde entre uma curva sinuosa ou entre um ponto qualquer próximo ao horizonte. E nesse momento, a estrada de ferro nos lembra o mar: do nada, se transforma num cenário para se contemplar e ficar pensando na vida.
O modo de encarar os trilhos mudou quando morei quatro anos em Bauru: passei pela experiência mais que bacana de percorrer num trem de passageiros o interior de São Paulo, pouco antes de sua desativação. Não bastasse a viagem em si, o cenário era muito mais bonito que o existente nas rodovias Castelo Branco e Marechal Rondon, acessos rodoviários à Cidade sem Limites.
Bauru é também o maior entroncamento ferroviário do país. É onde se reúnem as ferrovias Sorocabana e Noroeste. Por isso, os trilhos cortam vários trechos da cidade. Perdi horas caminhando sem destino pelos trilhos, conhecendo bairros movido apenas pela curiosidade e pelo simples prazer de caminhar. Observava as crianças correndo e brincando, entre uma linha férrea e corrégos próximos, passando por campos gramados, pastos e afins.
Talvez daí venha essa minha mania de me perder em pensamentos frente aos trilhos. Penso em viagens, mudanças, imagino aventuras ou me lembro de histórias curiosas, muitas delas bacanas, outras nem tanto. Mas em muitas outras coisas além. Me faz pensar também num passado mais remoto, em coisas que vivi e outras que apenas contemplei.
Ver trilhos hoje é me perder no tempo. É esperar pelo futuro, que pode estar em um sorriso dentro do vagão ou em uma viagem há muito esperada.
postado por Fábio, 12:38 PM |
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