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Quarta-feira, Setembro 29, 2004
Marcelo cansou-se de ficar deitado, esperando o sono voltar, e se levantou. Não conseguia dormir. Acordou no meio da madrugada e assim permaneceu, até que o dia clareou e não lhe restou outra alternativa senão sair da cama.
Talvez fosse o calor. Uma coberta um pouco mais quente, nesses dias em que o inverno o abandonou, é suficiente para tirar o sono. Mas se assim fosse, Marcelo não acordaria pensando nas mesmas coisas que estavam em sua cabeça momentos antes de dormir. Enfim, não seria abatido pelos problemas e a falta de perspectivas para o futuro. Não, não era o calor.
Pensou nos pais, nos irmãos. Pensou no bolso, nos planos e na possibilidade de não realizá-los. Pensou na saudade, na dor. Lembrou das dúvidas, das dívidas e também das exigências. Dias difíceis viriam pela frente.
No final da tarde, seus olhos pesaram pela falta de sono. Mas até chegar a este ponto, foi a cabeça de Marcelo quem sofreu com o peso, como se os pensamentos desordenados e as sensações ruins pudessem se medir em quilos. Foi uma tarde difícil, mas não tanto quanto as horas que estavam por vir, à noite.
postado por Fábio, 1:06 PM |
Segunda-feira, Setembro 27, 2004
Minha vida daria um post
Hoje, enquanto batia freneticamente no teclado da redação, correndo atrás das notícias, fui tomado por uma incrível sensação de vazio. Não é a primeira vez que isso me acontece e com certeza não será a última. Mas junto com esse vazio, me veio também um forte sentimento de inadequação que me deixou aturdido.
A vida anda cheia de problemas. Mas isso não é novidade, tampouco exclusividade. Só que eles parecem ganhar um peso extra quando somos surpreendidos pelos acontecimentos e pelas pessoas. Hoje, por um momento, me senti como se estivesse em um deserto, sem água nem ninguém por perto. E isso me causa um desconforto muito grande, porque não me faltam amigos nem apoio. Por todo lado encontro pessoas legais, que gostam de mim. Meninas que nutrem interesses que não só o de amizade também dão as caras. Analisando tudo isso, parece estranho e até mesmo patético reclamar de solidão. Mas acho que é isso mesmo: solidão. É uma sensação que pode durar um dia ou dois. Talvez dois minutos, mas a verdade é que ela aparece, sem dar aviso.
Um dia gostoso, com amigos, filmes e muita abobrinha são sucedidos por horas modorrentas, em que o calor e mormaço são apenas a cereja de um bolo insípido e sem atrativos. Em que tudo se torna um fardo e as lembranças se resumem a ausências.
Não sei dizer exatamente o que me falta. E talvez seja justamente por isso que apenas espero.
Sento na poltrona da sala, que nunca foi meu lugar predileto em casa, e fico a esperar. Olhando para a TV desligada, para as luzes apagadas e para o telefone que permanece mudo, para meu desalento. E esperando que, no dia seguinte, eu ligue o computador e encontre ao menos algumas linhas.
É duro esperar. Porém, ainda mais duro é esperar em vão...
postado por Fábio, 12:57 PM |
Sábado, Setembro 25, 2004
Despediu-se dela pela segunda vez, mas algo o retinha. Lembrou de algo que havia esquecido de falar. Nada muito importante, podia contar em outra oportunidade. Mas era mais forte que ele. Tudo o que queria era ficar ali, falar com ela. Ouvi-la, principalmente.
A vontade de ouvir sua voz era quase tão grande quanto a de vê-la, de admirar seus olhos, seu cabelo, seu sorriso tão tímido quanto belo. Por isso a procurou. Mas não imaginou que, durante a conversa, fosse tomado por uma vertigem, um aperto no coração. Sentiu-se como um homem sedento, no meio do deserto, que encontra um cantil cheio de água límpida e gelada. Um arrepio forte percorreu sua espinha, lenta e intensamente. Aquilo não podia estar acontecendo.
Perguntou a si várias vezes o que pensaria ela naquele momento, o que sentiria naquele mesmo instante. Não havia como saber, e ele preferiu pensar nisso depois. O que o preocupava agora era prolongar aquela conversa. Pois tudo o que queria era ficar ali, falar com ela. Ouvi-la, principalmente.
Despediu-se dela pela terceira vez, mas qualquer um perceberia que ele não queria, de forma alguma, encerrar a conversa. Confessou isso a ela, mas o fez de forma tão confusa que ela provavelmente não notara o que ele realmente queria dizer. Calou-se por um momento. Um. Dois. Três. Quatro segundos. Esperou que ela falasse algo, mas ela também não falou. Silêncio é sempre importante, porque duas pessoas, quando estão a sós, precisam se calar por uns instantes. Mas ali, era inútil.
Tudo o que queria era ficar ali, falar com ela. Ouvi-la, principalmente. Mais e mais. Não importava que ambos estivessem conversando ao telefone. Se tudo desse certo, o tempo daria razão a ele.
postado por Fábio, 1:41 PM |
Quinta-feira, Setembro 23, 2004
Fechou os olhos e levou as mãos ao rosto. Encheu os pulmões de ar, com toda a força que tinha. Prendeu-o todo, durante uns cinco segundos, para expirar tudo de uma vez. Foi um longo suspiro. Levantou-se da cadeira, vencido pelo abatimento e a decepção.
Tentou se lembrar de todas as palavras trocadas, de todos as mensagens compartilhadas. Não conseguia entender o que estava errado. Em dado momento, começou a senti-la fria, distante. Em seguida, ela passara também a se esquecer de datas. Não demoraria muito para que esquecesse seu nome. Não sabia porque isso acontecia. Pensava em oceanos, mas lhe vinha apenas córregos. Imaginava vendaval, mas tudo o que encontrava era brisa.
Algum tempo antes, fora tomado pela dúvidas. E quando parecia que ela havia se dissipado, eis que volta, tão forte quanto antes. Espessa como neblina, invencível como um abismo. Sentiu-se invadido por ela. Tentou e tentou, mas dela não conseguiu se desvencilhar. Não sabia o que pensar, tampouco o que dizer. Decidiu não pensar mais, não esperar mais.
Talvez o melhor a fazer fosse mesmo calar-se, se afastar pouco a pouco. Até sumir e não deixar vestígio de que um dia sonhou, dançou e escreveu por motivos cada vez mais distantes e intangíveis.
postado por Fábio, 9:55 PM |
Terça-feira, Setembro 21, 2004
Minha vida daria um post
Há alguns anos li uma metáfora interessante que foi usada para narrar uma partida de futebol: um "jogo no aquário". Esta figura de estilo é adequada aos meus dias, que estão presas numa redoma cheia de água.
Olho para frente e vejo todo o caminho que há para percorrer. Posso ver o rumo, o destino e também tudo com que vou me deparar até chegar onde quero. Porém, à medida que me movimento, algo faz com que meu caminhar seja mais lento e difícil, como se estivesse embaixo d'água.
Esticamos um braço, movemos uma perna, mas é como se continuássemos presos. E sempre que mantenho os olhos abertos, sinto o incômodo, a dor. Meus olhos ficam vermelhos pelo contato com a água. Mas não posso fechar os olhos, preciso enxergar, observar o que está por vir. E também o que ficou para trás.
Meu destino é incerto, é aquoso. Agita-se, mas não se desloca. Por vezes me impele para trás, sem que eu possa esboçar reação. E não raro fico sem ação, apenas esperando. Duro é esperar, queria poder agir, não depender de movimentos de outrem para fazer aquilo que eu quero, mas há o receio de ser freado. Meu destino é um aquário cheio de águas e dúvidas.
postado por Fábio, 1:35 PM |
Sábado, Setembro 18, 2004
Acordou, sentou-se à cama, jogou as cobertas para longe e sorriu. Curiosamente, não havia ninguém no quarto àquela hora. Tudo parecia conspirar para que ele permanecesse por alguns minutos sentado, sem mover nenhum músculo do corpo que não os da face, para sorrir.
Em várias outras oportunidades ele já acordara animado, ou bem disposto. Porém, não se lembrava de, ao acordar, simplesmente sorrir, como se fosse surpreendido por uma boa notícia ou uma ligação inesperada. Era, pois, um instante diferente e especial.
E tudo porque havia sonhado, num momento em que não esperava. No sonho, ela o acompanhava em um passeio de carro. Conversaram pouco, embora houvese muito a dizer. Também trocaram menos olhares que o esperado. Talvez porque a timidez
imperasse, ou quem sabe porque em alguns momentos estar ao lado um do outro bastasse.
Uma terceira pessoa guiava o carro, mas permanecia alheio a tudo o que acontecia. Os dois permaneciam juntos, no banco de trás. E assim foi, até que o sonho acabou, sem final, sem corte. Simplesmente se esvaiu, assim como o sono. Ele acordou e com o passar do tempo, foi tentando lembrar-se dos detalhes. Tudo fora muito simples, embora não menos belo. Ficou-lhe na mente a voz suave e embaladora, o belo rosto e os olhos tranquilos.
Sentiu-se feliz pela manhã, não pelo sonho em si, mas por ela ter feito parte daqueles instantes. Fechou os olhos e continuou a sorrir. Assim permaneceu por alguns segundos, quando o rosto dela voltou-lhe no pensamento, de forma intensa. E desejou que o seu sonho ganhasse forma.
postado por Fábio, 3:38 PM |
Quinta-feira, Setembro 16, 2004
Num belo dia, Eduardo acorda cansado e abatido, mesmo tendo dormido mais que as oito horas exigidas. O corpo fraco, sente-se vencido, derrotado. Abre a janela e percebe que o Sol resolveu acordar mais cedo e adiantar seu trabalho, talvez para não ficar sobrecarregado quando o verão chegar. Sim, porque o calor é de verão carioca. E ainda é inverno.
As horas vão passando e, com elas, o pouco ânimo que havia restado em Eduardo. Ele vai percebendo que os sintomas do seu corpo durante a manhã serão os da alma durante o resto do dia, como se seus braços e pernas resolvessem lhe advertir dos momentos difíceis que viram pela frente.
Eduardo vai trabalhar como quem se dirige à forca. O sol lhe acerta a cabeça como quem agride. A vista fica turva e assim continua, mesmo quando o sol já se pôs há muito, mesmo sendo noite. Foi deitar ainda mais abatido que quando acordou. Sente que as estiveram paradas por muito tempo, não se moviam. Pareciam zombar dele. Agora que está há poucos minutos de dormir pesadamente, espera apenas que os pesadelos não retornem, como no tempo em que seu único projeto de vida era largar tudo e sair correndo sem destino.
postado por Fábio, 11:26 AM |
Terça-feira, Setembro 14, 2004
A vontade é de escrever mais linhas. Por isso, são estas que aqui aparecem, e não as que escrevi anteriormente. A vontade é também de cantar, baixinho ou não, tanto faz. Mesmo que algumas palavras se percam no emaranhado de idiomas distintos, de idéias recorrentes ou no desafinar da minha voz. Uma canção puxa a outra, como os vagões de um trem. A locomotiva,
porém, não é uma canção, e sim um nome, que aos poucos ganhou um rosto, uma voz, duas cores, até se materializar.
A janela se encontra aberta, mas eu a fecho, para me esconder dos curiosos lá fora. Aumento o volume e o resto é sabido. Pensamentos se misturam às lembranças, de uma maneira boa. Filmes, livros, canções, paisagens, tudo fica ainda mais belo quando há o que os una. Ou, mais ainda, quanto tudo isso converge para um só ponto.
A vontade é de escrever mais linhas. Há muito o que dizer, mas pouco tempo para fazê-lo. Melhor deixar, ao menos por enquanto, que as canções se encarreguem de tornar tudo mais próximo.
postado por Fábio, 2:47 PM |
Sábado, Setembro 11, 2004
- All we need is love... All we need is love...
A música veio-lhe à mente, com a força e a velocidade de um objeto atraído pela gravidade. Caiu em sua cabeça como se algo pesado fosse lançado nela. A música o dominou, tanto quanto a frase, mas menos que a idéia embutida nela, que surgiu quando ouviu a voz dela, em preno trabalho.
- Está errado: não é "All we need". É "All you need".
Não era a única coisa errada. Afinal, a voz que ouviu não era de quem imaginava ser. A mulher que o fez lembrar da canção não estava ali. Mas para ele tudo estava certo. Ouvi-la, como se ela estivesse ao lado, era uma forma de tê-la por perto. E letras de música são mesmo diferente para cada pessoa.
- Sim, eu sei. Mas é que toda vez que ouço essa música, a imagino assim, mesmo. E, na verdade, ela deveria se chamar "All we need is love".
- Bom, cada um com sua interpretação da música...
- Verdade. É como num show. Já lhe ocorreu estar na platéia e imaginar que tudo o que a banda toca tem a ver com você ou com o momento que vem passando? A mim, sim.
Não obteve resposta, mas também nem a queria. Falou por falar, talvez uma forma diferente de se lembrar do show, que lhe foi tão especial. Por um momento, a voz lhe ecoou novamente nos ouvidos, ainda mais suave e bela que antes. E não falou mais nada. Sentiu vontade de caminhar com passos ritmados, cantando baixinho ou simplesmente assoviando.
postado por Fábio, 2:12 PM |
Quinta-feira, Setembro 09, 2004
Colocou a comida em seu prato e foi para a sala. Já eram mais de 23 horas, mas só naquele momento ele conseguiu tempo para jantar. Sentou-se pesadamente no sofá. Estava exaurido, com dor de cabeça e uma expressão abatida. Havia o dia estafante, o ritmo puxado de trabalho. Ficou macambúzio durante todo o dia, chamando a atenção dos colegas de trabalho.
As luzes da sala estavam apagadas, mas ele não parecia se importar com isso, muito pelo contrário. O facho de luz vindo do quarto contíguo era para ele suficiente. A TV também não lhe era útil em nada. Fora comer na sala simplesmente para refletir, pensar na vida. E, claro, para esperar.
Dirigiu seu olhar para a estante e sentiu o abandono: um troféu com asa quebrada, um livro inútil e que era utilizado apenas como enfeite. E alguns quadros simplórios, desses facilmente encontráveis em lojas no centro da cidade. Notou que ninguém da família dava atenção àquela parte da casa, ele tampouco.
Olhou para o lado e viu o telefone. Passou alguns segundos olhando para ele e, em seguida, voltou seus olhos para a janela, no lado oposto. E ficou aguardando o trinado, que cortaria como faca afiada o silêncio sepulcral que dominava a sala. Imaginava-se assustado com o barulho repentino, que o faria se dirigir rapidamente para o aparelho.
Mas o tempo passou e o silêncio não fora vencido. Ao contrário: se tornava cada vez mais negro, intransponível, espesso. Era como se fosse uma escuridão sonora. Ele fechou os olhos e suspirou fundo. Ao contrário do que vinha acontecendo dias antes, agora suspirava de tristeza. Por alguns segundos sentiu-se só, como nunca esteve.
postado por Fábio, 10:32 AM |
Segunda-feira, Setembro 06, 2004
Caco e Lúcia estavam sentados sobre a maior pedra do mirante, um ao lado do outro, abraçados. Rostos colados, dividiam o fone de ouvido, e a canção que dela saía era especial para ambos. Ali de cima, a vista era linda, exuberante, de fazer brilhar os olhos e suspirar fundo.
Enquanto admiravam a paisagem, eles permanecam com os lábios encurvados, num sorriso que se notam nos românticos, e fechavam os olhos. Vez ou outra, um baixava a cabeça, como se dominado pela timidez.
Um vento mais forte, mas ao mesmo tempo acolhedor, chegou a eles. Não era um vento que batia, mas que abraçava. Lúcia abriu os olhos e fixou-os em um ponto distante no horizonte, perdido entre tantas montanhas, rios e nuvens. E passou pela estranha sensação de pensar em Caco, quase uma saudade, como se ele estivesse longe, quando na verdade estava em seus braços. Percebeu que fora contaminada pela sensação de que ele estava em todos os lugares.
Caco também abriu os olhos e fitou o horizonte, pensando na mulher que abraçava. Sentiu uma grande vontade de protegê-la, de lhe dar abrigo, carinho e afeto. E ao mesmo tempo, de ser protegido, de sentir Lúcia consigo, como parte de si mesmo.
- Está um dia lindo para se compor uma música ¿ falou ela.
E mais não disse. Caco achou curiosa a entonação com que Lúcia proferiu a frase. Saiu de seus lábios de modo tão natural que parecia ser ela uma compositora inundada pela inspiração, que a todo momento cria novas peças. Imediatamente imaginou ambos trabalhando em uma música. Ela dedilhando suavemente o violão, criando notas e destruindo acordes, até casar melodia e
harmonia; ele escrevendo freneticamente num pedaço de papel, provavelmente um guardanapo ou o verso de um panfleto entregue nas ruas.
Em seguida, apresentariam sua colaboração, ao mesmo tempo. Transformando letra e música em uma canção completa. Depois, repetiriam o processo, corrigindo aqui, modificando ali. Até que a obra coletiva estivesse pronta. Eles então se entreolhariam e um sorriso grande brotaria dos dois.
Mas ali não havia instrumentos, tampouco caneta. Nenhum dos dois havia composto algo, antes. Também não seria dessa vez. Porém, restaram os sorrisos, que jamais haveriam de faltar. Com ou sem música.
postado por Fábio, 12:50 PM |
Sexta-feira, Setembro 03, 2004
Ela largou o violão na cama, com certa violência. Estava impaciente. Acendeu um cigarro, deu a primeira tragada e perdeu alguns segundos olhando para o teto. O movimento de expirar a fumaça foi seguido de um suspiro. Fechou os olhos e levou novamente o cigarro à boca.
Seus pensamentos se perderam em muitos lugares. No chefe que vivia pegando no seu pé, no pretendente que lhe levara flores mas cujo falar lhe incomodava, nas vizinhas que não paravam de comentar seus cabelos e roupas. Percebeu que vivia num mundo claustrofóbico, escuro, repleto de bolor, teias de aranha e pessoas sufocantes. Havia apenas um ser que poderia levar-lhe uma lufada de ar e uma réstia de luz. Mas este fechou-lhe a porta e carregou consigo a chave, ao trocá-la por uma moça vários anos mais nova.
Sentiu-se desamparada e incapaz. Suas lembranças já chegavam ao terceiro cigarro. Quando o extinguiu, levou às mãos ao maço, mas olhou para ele por um momento e o jogou na cama, com displicência. Tomou de volta o violão aos braços e tentou cantar. A voz saiu tão angustiada quanto as letras, e tão fraca quanto se sentia naquele instante. Entoou uma canção que falava de passado, dor e perda.
A cada verso, ela se envolvia mais com a história contada, até que música passou a ser um mar agitado, que a arrastava cada vez mais para o fundo, afogando-a em más lembranças. Começou a soluçar e a voz foi sumindo ainda mais, até se tornar um arremedo. Mesmo estando sozinha, ficou constrangida ao ver que seu tom de voz era denunciador do seu estado de espírito e resolveu se calar, deixando para o violão a tarefa única de executar a canção.
postado por Fábio, 9:38 AM |
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