Conheça também
O Monoglota
Blógui do Mayfly
Fotolog
ORKUT
Blóguis
*Abaixa a Bola
*Ah, o amor
*Arroz de Leite
*Bambu Oco
*Batom na Cueca
*Be Here Now
*Coluna Brasil
*Contact
*Debaixo da Ponte
*Deus Morreu
*Doctor Phibes
*Hay Dias
*Hidden-Track
*In Vitro
*Megazona
*Nunca Plantávamos Coentro
*O Cara Mais Mal-humorado do Mundo
*Paulo F.
*Querem me Enlouquecer
*Tigerlily
*Toxic Girl
*Walkwoman
*Wish
Arquivos
Layout by Luciana C.
|
Domingo, Julho 25, 2004
Eu te vejo sair por aí
Te avisei que a cidade era um vão
- Dá tua mão
- Olha pra mim
- Não faz assim
- Não vai lá não
Por breves segundos, resolveu olhar para o chão. Ladrilhos, cimento, concreto. E desenhos: o mapa de São Paulo, pequenas flores, edifícios. Tudo havia naquele local onde pisava. Lixo, inclusive. Encontrou muitos papéis espalhados. Não gostou dessa imagem e resolveu olhar à frente, onde os ônibus se engavetavam, como se formassem um grande comboio de linha férrea. Pessoas colocavam o rosto na janela e soltavam xingamentos contra alguns transeuntes. Um deles, porém, apenas esticou o braço para pegar a garrafa de água mineral, vendida pelo mascate que caminhava pela avenida.
Os letreiros a te colorir
Embaraçam a minha visão
Eu te vi suspirar de aflição
E sair da sessão, frouxa de rir
Pensou em se deter por uns instantes, para observar, descobrir qual o motivo do transtorno no trânsito. Seria algum acidente, uma briga? Mas preferiu continuar caminhando. Passou ao lado de uma das entradas da estação do metrô e olhou para seu reflexo na vidraça. Percebeu uma expressão serena e sorriu. Continuou caminhando, enquanto pensava em olhares e sorrisos.
Já te vejo brincando, gostando de ser
Tua sombra a se multiplicar
Nos teus olhos também posso ver
As vitrines te vendo passar
Os olhares e sorrisos o fizeram pensar em músicas, e estas em lembranças boas. De repente, sentiu saudade. Uma saudade que era como um rio. Nascia pequena, quase invisível, brotando escondida entre rochas para caminhar por quilômetros e quilômetros, crescendo e se alargando cada vez mais. Até se tornar caudaloso e profundo. Deu um suspiro, tão forte que lhe inflou o peito.
Na galeria
Cada clarão
É como um dia depois de outro dia
Abrindo salão
Passas em exposição
Passas sem ver teu vigia
Catando a poesia
Que entornas no chão
Seguiu seu caminho, assoviando por aquela avenida que lhe era tão cara. Olhou para o céu e ele estava agradável. O vento lhe batia no rosto, suave como um beijo. Caminhou tão distraído que só percebera o quanto andou quando chegou a mais uma entrada para o metrô. Novamente, olhou-se pela vidraça. A saudade não lhe deixara vincos, apenas lhe apertou o peito. Deu um novo suspiro e entrou na estação. Tudo o que queria agora era encostar o rosto na janela do metrô e passear sem destino.
postado por Fábio, 11:48 AM |
Terça-feira, Julho 20, 2004
André caminha com as mãos no bolso, impaciente. O trem está atrasado, mas não é o que lhe incomoda. Ele percorre os dois extremos da plataforma, ora em passos rápidos, ora lentos. Vai, volta, mas nada parece acalmá-lo. A cabeça anda longe, vai em mil lugares ao mesmo tempo, pensa em milhares de coisas. Mas apenas em uma pessoa.
Pessoa essa que não só lhe invade a mente mas nela se espalha. Como se em cada neurônio, em cada ligação nervosa, estivesse registrado seu sorriso constante ou sua voz, tão doce quanto uma bela canção.
A lembrança renitente incomodou André, que não andava acostumado a essa situação. Resolveu se encostar em um dos pilares. Abriu o jornal e tentou ler, mas não conseguiu passar do segundo parágrafo e o dobrou, para ler em outra oportunidade. Alguns minutos depois, tenta ler novamente, mas acaba jogando-o no lixo.
Volta a caminhar, mas dessa vez fixa seu olhar nas outras pessoas que aguardam os trens. Muita gente rindo, conversando. A maioria está alegre, pois é noite de sábado e muitos saem em busca de festa, diversão. Mas André quer apenas espairecer, estar em algum lugar onde ninguém o conheça ou suspeite de seu olhar ensimesmado. Precisa de espaço, tempo e calma para poder pensar nela em tudo o que conversaram, desde a primeira vez que se encontraram. Havia um sentido para tudo aquilo que lhe vinha à mente?
De repente, um garoto na plataforma oposta ergue os braços e comemora um gol, anunciado pelos alto-falantes que transmitem a partida na estação. Só então André percebe: era seu time que marcara o gol, sabia disso porque o garoto vestia uma camisa do clube. Mas ele estava em outro plano, outro mundo. Um mundo onde não havia futebol, nem pessoas aguardando o trem. Apenas conversas agradáveis e pessoas cativantes, que encontraria mais cedo ou mais tarde.
postado por Fábio, 11:18 AM |
Sexta-feira, Julho 16, 2004
Olhou para o armário e ficou preocupado. Poucas roupas, muita bagunça. Nada estava no lugar certo, várias peças estavam amarrotadas. Para separar as que tinham condições de ser usadas, perderia muito tempo. Felizmente, a ansiedade o fez com que pensasse no assunto com muitas horas de antecedência.
Alguns minutos depois, escolheu sua roupa e guardou as demais. Penteou rapidamente o cabelo, que nunca precisou mesmo de maiores cuidados, colocou o perfume e se deteve em frente ao espelho, onde se examinou rapidamente. "Tudo certo", pensou. E saiu.
Queria comprar um presente para a moça com quem iria se encontrar. Algo simples, mas que de alguma forma mostrasse seu afeto por ela. Quem sabe algo singelo, mas especial o bastante para valer mais que algo caro? Pensou, pensou mas não conseguiu encontrar nada à altura dela. Desistiu da compra e achou que seria melhor assim. Comprar algo logo no primeiro
encontro poderia ser uma atitude precipitada. Apesar de tudo, ainda não sabia ao certo o que estava acontecendo. Podia cair de uma altura muito grande e se machucar bastante. Convinha ao menos providenciar algo que amortecesse a queda. Já estava a caminho do local combinado quando foi tomado de uma agitação. As dúvidas o angustiavam. A insegurança também. Colocou as mãos nos bolsos para conferir se tinha trazido tudo. As chaves, o dinheiro, os bilhetes do metrô, caneta e papel: tudo estava certo.
Olhou para cima e finalmente se deu conta do que estava faltando. O céu estava limpo, com apenas algumas nuvens brancas. Sinal de estiagem. Sempre gostara daquele tipo de céu, mas percebera que, ao menos naquele instante, ele não o agradava.
Sentiu, de repente, falta das gotas caindo. Talvez a chuva enfim viesse mais tarde, quando os dois se encontrassem. Ficou na torcida, durante todos os longos minutos que o separavam do seu destino.
postado por Fábio, 9:58 AM |
Teste
postado por Fábio, 9:54 AM |
Sábado, Julho 10, 2004
Minha vida daria um post
Eu tenho um livro lindíssimo em casa: Pequeno Dicionário de Plavras ao Vento, da Adriana Falcão. Ganhei de aniversário da Patrícia, minha irmãzinha, ano passado. É um livro com interpretações lúdicas e muito bacanas para várias palavras.
Pois. Dia desses resolvi abrir em uma página aleatória e escolher uma palavra igualmente. Tá lá:
Quando
O onde do tempo
Fiquei pensando na pertinência do verbete. Meus pensamentos têm convergido para essas duas palavras nos últimos tempos. "Onde" e "Quando" são dúvidas de todos. Mas são muito minhas, também. A cada dia, distâncias de espaço crescem quase que na mesma proporção da de tempo. É um olhar na agenda e ver quase sempre dois números entre parênteses antes dos antigos telefones. É querer andar e saber que apenas isso não será suficiente.
Parece que o "onde" resolveu acompanhar o "quando", ambos saindo de mãos dadas e se afastando cada vez mais de mim, de nós, de todo mundo. Será preciso correr, apertar o passo para alcançá-los. Vontade não me falta. Tempo e espaço sempre foram obstáculos para tudo e não seria diferente agora. Mas quem sabe, desta vez, Maomé e a montanha caminhem juntos para se encontrar a meio caminho. E a meio tempo.
postado por Fábio, 6:09 PM |
Terça-feira, Julho 06, 2004
O playground já estava um tanto vazio quando o Sol começou a se esconder e o céu ganhou vários tons de azul, anunciando a noite que estava por vir. A maior parte das mães e babás já haviam levado suas crianças para casa. Julinho olhou de um lado para outro, procurando alguém para brincar. Procurou no escorregador, na gangorra e nas barras. Não queria ir embora e já estava a ponto de chorar quando encontrou uma menina, com lacinho na cabeça e sorriso contagiante.
Chamou-a para ir à gangorra e ela aceitou. Sentaram-se, cada um de um lado, e começaram a balançar. Julinho sentiu-se feliz com a brisa da tarde que batia de leve em seu rosto e sentiu vontade de cantar, e foi o que fez. A menina se animou com a musiquinha - conhecida dos programas infantis - e o acompanhou. Ficaram os dois balançando e cantando, até que a mãe da garotinha a pegou pela mão, levando-a. Julinho foi atrás da mulher e pediu que deixasse sua nova amiguinha ficar mais um pouco, mas foi em vão. Só conseguiu perguntar à menina do lacinho seu nome.
- Meu nome é Janaína. E o seu?
- É Julio, mas todo mundo me chama de Julinho.
E mais não disseram. Janaína foi levada pela mãe e tudo o que pôde fazer foi dar um tchau, ainda mais bonito por sair de suas mãos alvas e delicadas. Julinho esticou os braços e retribuiu o aceno com outro, bem mais agitado. Antes que sua mãe também o levasse, teve a idéia de arrancar uma rosa do jardim, para entregar a Janaína. Mal sabia ele que, sem água, a rosa não agüentaria muito.
Julinho tem sete anos, mas nem parece.
postado por Fábio, 10:45 AM |
Sexta-feira, Julho 02, 2004
A Lua, ontem
Não há nuvens no céu, tampouco estrelas. Todas se esconderam para que a forte luminosidade do luar reinasse absoluta no céu. Hoje, a lua é dona do céu, da noite, dos nossos olhos e corações. Caminhar olhando para o céu é, como sempre, um hábito. Mas hoje se torna praticamente um dever.
Se todas as luzes da cidade se apagassem, não fariam falta. Porque hoje a Lua nos cobre, nos protege, nos enleva. Ela nos faz lembrar de diálogos belos, de pessoas doces e de desejos de voar. Hoje o disco prateado reluz como ouro. Sua luz aquece como se dela também emanasse calor. Não à toa, nossos olhos brilham.
Amanhã, quando as nuvens voltarem a cobrir o céu, havemos de lembrar desta noite, tão inesquecível quanto um grande momento, que poderíamos guardar para o futuro. Quem sabe em uma caixinha de música.
Cérebro de Ervilha
Um céu limpo sempre surge quando encontra pensamentos puros.
postado por Fábio, 11:36 AM |
|