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Layout by Luciana C.
Sexta-feira, Abril 23, 2004

Sono Profundo

Onde guardar a sua paz?
Não há como ter juízo
Sem sentar, meditar e ver
Que nosso mundo é errado

Para viver sem culpa
Somente se não mais escolher
Ir deitar sem nunca mais
Ter a noite que sonhou

E depois de tudo se sentar
Na poltrona macia e dormir
Para um dia talvez
Criar a estrada de versos
De um tempo que você fez passar
Sem pensar que um dia
Haveria nuvens a partir

postado por Fábio, 11:34 AM |

Quarta-feira, Abril 14, 2004

- Não conte seus sonhos. Eles são apenas seus, só você deve alimentá-los...
Foi a primeira frase que ouviu quando acordou. Levantou-se lentamente da cama, olhou pros lados, mas não viu ninguém. O quarto estava vazio. Começou a caminhar pelos cantos, como a procurar alguém. Nada. Uma idéia passou pela sua cabeça: procurou embaixo da cama. Ninguém ali. "Idéia estúpida, também", recriminou-se.
Abriu a porta do quarto, o corredor igualmente vazio. Quem poderia ter dito a frase a ele? Teria sido um sonho? Não, não podia ser. Ele foi praticamente acordado pela voz, emitida em alto e bom som. Chegou a sentir a vibração da frase em seu ouvido, como se alguém lhe segredasse algo. Voltou a deitar, estava novamente com sono...
- Não conte seus sonhos. Compartilhá-los será destruí-los!
Acordou de repente. Pensou em levantar-se, mas se conteve. Ficou à espera do que podia acontecer. Mas frases vieram, cada vez mais altas:
- Não conte seus sonhos. Eles devem ficar ocultos até que se tornem realidade.
Resolveu, enfim, se levantar. Queria abafar as vozes que tanto o incomodavam. Que queria dizer aquilo tudo? Não fazia sentido. Forçou a mente, mas não viu relação alguma entre as frases e sua vida. Sonhos? Não possuía mais nenhum. Tinha um trabalho simples, sem perspectiva de crescimento. Mas ganhava muito bem, exercia um ofício agradável e tinha uma carga horária pequena, que o permitia passear durante o dia, ir ao cinema ou mesmo almoçar com tranquilidade. A casa e o carro, velhos desejos, já estavam quitados há um bom tempo. Que mais haveria de ser?
Trocou de roupa e saiu para caminhar um pouco. "Não sei porque perco tempo com besteiras", pensou. Por muito tempo, porém, permaneceu com a cabeça baixa, como se receasse encontrar em outdoors a frase que o perseguiu durante a manhã. Passou a observar os calçados dos transeuntes. Deteve-se em um par de pés diferente dos demais. Pés descalços. Pequenos, belos e descalços, em pleno centro da cidade. Ergueu os olhos para descobrir a dona dos pés. Ela, porém, já desaparecera no meio da multidão.
Teria sido assaltada e, por isso, estava sem calçados? A curiosidade o impeliu à frente. Apertou o passo, até alcançar a moça. Estava com um vestido branco, de tecido leve. Quando o sol lhe atingia, era possível perceber sua bem talhada silhueta. Ela também apertava o passo, levantando a barra do vestido, para andar mais rápido.
Ele não sabia porque, mas precisava falar com ela. Também não sabia o que dizer. Mesmo assim, tentou um último pique. Conseguiu alcança-la quando ela estava prestes a entrar no metrô.
- Moça!
Colocou sua mão sobre os ombros dela, roçando também em seus cabelos. Eram compridos, castanhos e brilhantes. Ela se deteve, voltou-se ao perseguidor. Segurou seu rosto com as duas mãos e o beijou. Arrepios, respiração ofegante, mãos quentes. Dois minutos depois, ela recuou e disse:
- Não conte a ninguém. Ainda é muito cedo. ¿ e desceu as escadas, rumo ao metrô, numa velocidade impressionante.
Ele desceu as escadas, trôpego. Chegou até os bloqueios, mas não a encontrou. Pensou em perguntar para as pessoas próximas, mas desistiu. Lembrou-se das recomendações e decidiu voltar pra casa, pensando em quando poderia vê-la de novo.

postado por Fábio, 10:52 AM |

Terça-feira, Abril 06, 2004

Mais uma velharia... e sem título!

Ela canta como um dia passa
Eu ouço e espero
Palavras melhores
Um dia em que o céu
Brilhasse mais

Todos já percebem minha tristeza
Eu só queria voar pra longe
Com a menina que me acordou
Em dias diferentes
Não sei se sentes
Eu só quero sentir
A voz que me alenta
Mesmo longe, mesmo assim

A canção linda já se foi
Eu só quero lembrar
Vai, um dia te acho
para sempre

postado por Fábio, 10:31 AM |