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Sexta-feira, Fevereiro 27, 2004
Estrelas
Olhou para o céu e pôde finalmente ver as estrelas, por um longo período ocultas pelas nuvens escuras e céu carrancudo. Por quantos dias eslas estiveram escondidas? Não soube precisar. A única coisa que sabia responder era que elas voltaram. E, por uns instantes, se sentiu feliz.
Olhou as constelações, os pequenos agrupamentos luminosos. Ali estavam as Três Marias, o Cruzeiro do Sul e outras sempre contempladas, mas cujo nome desconhecia. Eram como as moças que encontrava todos os dias no trem e que sempre cumprimentava. Não sabia seus nomes, igualmente, mas ele nunca lhes negava o sorriso.
Já havia andado muitos metros, mas continuava olhando pra cima, a contar e admirar as estrelas, filhas pródigas de um céu quase esquecido. Lembrou de uma canção querida e sorriu: não, ele jamais irá parar de contar as estrelas no céu, bem como apreciar o céu, o Sol e a Lua. O tempo haveria de passar, ele conheceria novos rumos, responsabilidades e pessoas. O chamariam de senhor com freqüência cada vez maior, mas ele continuaria o mesmo, admirando coisas que poucos ainda percebem.
Estrelas, brilhantes como olhos. Algumas delas piscavam, emitiam um brilho irregular, eram como olhos confusos. Ele se pôs a pensar. Continuava olhando para o céu, mas agora o arfar provocado pelos passos rápidos deu lugar a um ligeiro suspiro. Pensou no tempo que levou até rever as estrelas. Queria rever outras, tão lindas quanto, mas arredias, confusas e igualmente distantes. E imaginou o quanto precisaria esperar para reencontrá-las.
postado por Fábio, 9:51 AM |
Quarta-feira, Fevereiro 25, 2004
Ainda desenterrando velharias...
Hoje é um dia qualquer
E qualquer dia é momento
De espantar moscas
Aguardar ligações
e deitar ao relento
Ficar preso a um som distante
É o que sobrou da noite
Que ainda não se gastou nas horas
É meia-noite ainda
Mas as idéias claras já foram dormir
Como a esperança que já finda
Nos bolsos furados
E nas sombras que hão de vir
Posso até ter mais tempo
Pra curtir e pra dançar
Mas o que me falta fazer
É poder agir e pensar
De acordo com o caminho
Que o mundo for fazer
postado por Fábio, 1:59 PM |
Quarta-feira, Fevereiro 18, 2004
Vira e mexe alguém vem me perguntar porque cargas d'água desse nome: "Meninas beges". Na verdade, é uma longa história. Mas pra resumir a opereta, resolvi colocar aí a classificação por cores. Incluindo, claro, as meninas beges...
Meninas lilases
São mulheres que não estão com nada e estão prosas. Às vezes até são bonitas e/ou inteligentes, mas sempre se acham mais do que realmente são. Ficam mais entojadinhas à medida que a conversa avança.
Meninas laranjas
Podem ser as atrapalhadas ou as ciumentas. Sempre se metem em rolo, geralmente por causa dos namorados/maridos/noivos/rolos. Manja aquelas Mulheres que Amam Demais? Então, todas laranjas. São as maiores vítimas dos caras que exploram financieiramente suas mulheres, caras brilhantemente definidos pela Anny de "Homens Serasa".
Meninas brancas
São a Sandy. Precisa dizer mais alguma coisa?
Meninas azuis
São lindas, da ponta do cabelo até o dedão do pé. Geralmente têm olhos azuis. São voluptuosas, de fechar o comércio. Mas dão uma dor de cabeça tremenda. Não importa como: pense numa maneira de uma mulher lhe dar dor de cabeça (simular a mesma é uma delas) e ela lhe fará esse favor. É quase que uma Lei de Murphy das Mulheres Coloridas.
Meninas amarelas
Elas são bonitas e inteligentes. Geralmente fazem o gênero fofinha. Imagine aquela menina gracinha com cabelos curtos, ar tímido (um óculos entra bem nessa combinação), magrinha e um pouco baixinha. Taí a mocinha! Só tem um problema: elas geralmente são fechadas, e você custa a saber se é por timidez, insegurança, distração ou porque são fresquinhas, mesmo. Agora, se você for tímido, meu chapa, ferrou. Não vai saber mesmo!
Meninas beges
Imagine aquela menina com quem você adoraria andar de mãos dadas na praia. Ou no Ibirapuera. Ou na rua, na chuva, na fazen... você entendeu, né? Daquelas que você só vê nos retratos em sépia. Pois. Ela é bonita, é inteligente, tem bom papo, é extrovertida e brincalhona. É fiel e, se você fizer por onde, não vai pegar no seu pé por qualquer coisa. Uma assim tá bom, né? Bom também seria achar uma assim.
postado por Fábio, 5:58 PM |
Segunda-feira, Fevereiro 16, 2004
Ele encostou a cabeça no vidro do ônibus e se pôs a pensar. Como em muitas outras situações, se enclausurou nos seus pensamentos, tal como um animal em sua concha. A cabeça fervilhava de idéias e sensações, os sentimentos se embaralhavam. Era preciso pôr ordem na casa.
Estava com os olhos fixos na rua, mas nada chamou sua atenção. Nem o zum zum das motos, nem os carros que buzinavam. Tampouco o mudar de cores do semáforo. Sem pensamento está em outro lugar, outra rua. Em outro ônibus, talvez. Era preciso pôr ordem na casa.
Algo estava errado. E dessa vez ele sabe bem qual o problema. Só não sabe ao certo o que fazer. E por isso, continua pensando. Ele pensa, pensa, pensa... As luzes cortam seu campo de visão, embelezam a avenida, mas sequer chamam sua atenção. As luzes que tomam seu pensamento são outras. São de olhos, belos, que exprimem vivacidade e ao mesmo tempo tristeza. Olhos lindos, mas confusos. Ele também estava confuso.
Mais gente entrava no ônibus. Ele, porém, mal percebia que o mesmo parava a todo instante. Não se preocupava com a lentidão, nem com as terríveis músicas que saíam do rádio, embalando motorista, cobrador e passageiros. Precisava pôr ordem na casa. E pra isso ele tem muito tempo. Queria já dissipar as dúvidas quando chegasse em casa. Mas sabe que isso é difícil.
postado por Fábio, 11:01 AM |
Sexta-feira, Fevereiro 13, 2004
Meninas beges - VII
Soninha
postado por Fábio, 7:32 PM |
Quarta-feira, Fevereiro 11, 2004
- Estamos num impasse...
Sim, estavam em um impasse. Há pelo menos uma hora os dois estavam conversando, sozinhos, no canto da casa, enquanto a música dominava o ambiente e a farra rolava solta pelos cômodos. A confiança que o fez chamar Vilma para uma conversa ao pé do ouvido, sabe-se lá porque, se desvanecera totalmente. Ele não tinha mais assuntos, não sabia como conduzir a conversa, mas também não tinha a menor disposição de tomar a iniciativa, já que o medo de ser repelido ainda era muito grande.
Já Vilma sempre achou Carlos um bom rapaz. Nunca sentiu interesse por ele até então. Não eram amigos, mas bons colegas da faculdade. E naquela noite tudo estava bem. Ela conseguiu esquecer os problemas em casa e riu um bocado. Mas agora a conversa estancou. Alguém precisava dizer - ou fazer - 0algo.
- Impasse? - disse Carlos, meio sem entender
- Sim, estamos num impasse. Como é que a gente sai dele?
- Eu...
- Você ao menos percebeu que estamos em um, né?
- Sim, mas...
- Mas...
- Essa palavra é muito forte. Ela me incomoda...
Vilma fixou seus olhos no dele. Realmente, ele estava muito encabulado, mas ele já estava com as faces avermelhadas desde que encerraram o último papo, sobre o primeiro porre coletivo na faculdade. Se ela não sabia como agir, percebeu que Carlos estava ainda mais inseguro.
Ele, de fato, não esperava um comentário tão direto. Sabia que tinha de fazer alguma coisa, mas entrou, de repente, num completo branco. Estender o diálogo seria colocar tudo a perder. Tentou aproximar-se de Vilma, mas ela recuou. "Não tem jeito, vou ter de falar algo", pensou ele, totalmente desanimado.
- Ei, vocês dois!
- Hã?
- A gente vai cortar o bolo, agora. Vem!
- Ok. A gente já vai...
Por algum motivo, Carlos pareceu aliviado por causa da intromissão do colega. Não tinha mais o que dizer, e se tivesse, não sabia como fazê-lo. A maldita timidez o torturava. Foram ambos para a sala cortar o bolo de aniversário. Enquanto todos batiam palmas animadamente, ele o fazia de modo automático, se perguntando quando é que ele conseguiria colar seus lábios ao dela.
postado por Fábio, 10:46 AM |
Segunda-feira, Fevereiro 09, 2004
Já devia ter postado, há um bom tempo, a primeira parte de um conto que escrevi no final do ano. Mas resolvi que só a postarei quando a terceira e última parte for concluída. Coisa que não fiz ainda por falta de cabeça, mesmo. Mesmo motivo que me impediu, aliás, de concluir outros três que eu tinha começado. Enquanto não me arrumo, vou desenterrando as velharias
Areia se movendo
Escorrendo pelos dedos
Ou se amontoando na ampulheta
É uma vida já ida
Um corpo desaparecido
Que num buraco jazia
Folhas na lápide
Lembranças mortas, em vão
Sinais que nunca vieram
Esqueço de procurar
A lanterna na escuridão
Algo que me ajude
A achar caminhos
Antes que toda areia se acabe
Hei de achar a frase
Que se encaixe em cada dia
Como uma luva
Um aviso do que vem
Como o vento gélido
Ou uma nuvem de chuva
postado por Fábio, 6:05 PM |
Sexta-feira, Fevereiro 06, 2004
Mais uma da "Fase Unesp"...
Sem saber
Quero dar a ela
A luz que ainda procuro
Estender ao seu colo
O calor que ainda me falta
Quero abrir meus braços
À energia que não vem a mim
E trazer para meu lado
Todos os amores sem fim
Abro os olhos em busca de algo
Que possa me embalar
Algo que me leve até longe
Algo que eu possa abraçar
Eu quero dar a ela
Vidas que eu ainda não encontro
Mas que eu saberei lhe dar
E quem sabe, em um instante
Eu possa enfim nos alegrar
postado por Fábio, 1:59 PM |
Quinta-feira, Fevereiro 05, 2004
Meninas Beges - VI
Manu, (Wonkavision)
postado por Fábio, 11:50 AM |
Segunda-feira, Fevereiro 02, 2004
O Fardo
Uma das melhores sensações que existe é, sem dúvida, a do alívio. A sensação do dever cumprido ou do obstáculo que foi transposto. Poucas coisas dão tanto prazer quanto encerrar um trabalho ou cumprir uma obrigação, poder olhar pra trás e dizer: "Está consumado". Melhor ainda quando tudo está bem feito e sabemos que todo aquele trabalho valeu a pena.
No meu trabalho, onde preciso fechar todo mês um jornal, que passa por complicadas etapas, passo por essa situação sempre. E não há sequer aquela sensação ruim de pensar: "Já fiz tudo. E agora?", já que dias depois terei de repetir o processo.
Isso tudo porque passo por um período de grande alívio, iniciado desde o último sábado. Sinto que um grande e pesado fardo foi retirado das minhas costas. Um fardo que envolve auto-estima, sentimentos, reconhecimento e consideração: coisas muito valiosas, mas mais difíceis de lidar que tarefas profissionais, por mais duras que elas sejam.
O prêmio
Diamantes podem ser dados a qualquer pessoa, basta que para isso você tenha dinheiro suficiente. Se você tiver uma carteira recheada, pode dar jóias até mesmo para aquelas pessoas que você apenas "considera".
Nem todos podem comprar diamantes, mas todos podem se dedicar por alguém. Mas este é um presente raro, que guardamos para poucos, mesmo que não custe nada financeiramente.
A lição
A ignorância me fez carregar, por um certo tempo, um fardo que me foi muito pesado. Hoje, posso dizer que aprendi uma grande lição. Dedicação não é para qualquer um. São pouquíssimas as pessoas que a merecem. Diamantes podem ser dados a qualquer pessoa, mas a dedicação deve ser guardada pra pessoas especiais, que mereçam seus esforços.
Essa grande lição me proporcionou um prêmio e um alívio.
postado por Fábio, 12:04 PM |
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