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Layout by Luciana C.
Quarta-feira, Novembro 26, 2003

Olá, pessoal!

Um fechamento de jornal e um monte de coisas a fazer me impedirão de postar esta semana. Estarei de volta na segunda.

Aos amigos blogueiros que não tenho visitado, mil desculpas. Semana que vem tudo se arruma.

Sorte e tudebão pra vocês!

postado por Fábio, 1:21 PM |

Quinta-feira, Novembro 20, 2003

Mais um dia na cidade

E por olhar a janela de um ângulo especial ele pode ver a cidade que tanto ama, de um ângulo distinto. Pode ver quando a cidade está limpa, quando está coberta pelas nuvens de chuva ou pela fumaça preta que sai das chaminés e dos carros. Consegue ver quando é que ela está seca ou quando está alagada. Ele olha a cidade e sorri. É uma selva de pedra, mas que exala vida em todos os poros. É como alguém que, mesmo petrificado, consegue respirar. E ainda por cima, se fazer ouvir.
Da sua janela privilegiada ele percebeu que, hoje, o céu está estranho. Vê o céu do mormaço, o céu do dia lindo e o céu chuvoso, ao mesmo tempo. Lembrou de noites em que saía com os amigos, com quem conversava nas mesas de bar até amanhecer, e o céu também se dividia em três tempos, ao mesmo tempo: noite alta, a aurora e o dia claro.
Era como admirar uma bela mulher, em alguma janela num prédio próximo. Como ver, todos os dias, os movimentos das moças em seus apartamentos. Daquelas que deixam abertas as janelas para sentir o vento ou simplesmente ser vistas. Daquelas que abrem o armário, se olham no espelho, suspiram e se despem aos olhos de todos.
É da janela do escritório que ele olha a cidade que ama, durante todo o dia. À noite, ele anda por dentro dela, em direção à sua casa. Como o voyeur que passa horas admirando a vizinha e, num momento especial, consegue adentrar o edifício, o apartamento, o quarto. E finalmente, a própria moça. Assim é, todos os dias,
Ele se perde em pensamentos, até que o céu, antes multifacetado, vai ganhando uma feição única. É a noite chegando. As nuvens baixas vão ficando escuras, sumindo com o sol, que se pôs artificialmente, graças a um outro edifício. É hora de possuir, novamente, a amante de concreto.

postado por Fábio, 10:13 AM |

Segunda-feira, Novembro 17, 2003

Já que o Senhor Felippe parece ter desistido da sua seção "Delícias da Natureza", resolvi eu continuar com essa missão de levar beleza aos blóguis.
E sim, a seção vai se chamar "Meninas Beges", mesmo que algumas tenham deixado de ser meninas há algumas primaveras. Se são beges mesmo, não saberei te dizer. Mas que têm caras de meninas beges, ah, têm...
Pra abrir a coleção, uma moça à qual fui apresentado recentemente...


Meninas Beges


Parker Posey


Homenagem

If you find yourself caught in love
Say a prayer to the man above
Thank him for everything you know
You should thank him for every breath you blow

If you find yourself caught in love
Say a prayer to the man above
You should thank him for every day you pass
Thank him for saving your sorry ass

If you're single, but looking out
You must raise your prayer to a shout
Another partner must be found
Someone to take your life beyond
Another TV "I Love 1999"
Just one more box of cheapo wine

If you find yourself caught in love
You should say a prayer to the man above

If you don't listen to the voices then my friend
You'll soon run out of choices
What a pity it would be
You talk of freedom don't you see
The only freedom that you'll ever really know
Is written in books from long ago
Give up your will to Him that loves you
Things will change, I'm not saying overnight
But something has to give
You're too good looking not to live

If you find yourself out of love
Shed a tear for the one you love
Tell your boss that you've gone away
Down your tools for a holiday
If you're going off to war then I wish you well
But don't be sore
If I cheer the other team
Killing people's not my scene
I prefer to give the inhabitants a say
Before you blow their town away
I like to watch them play
I like to marvel at the random beauty of a simple village girl
Why should she be the one who's killed?
If you find yourself caught in love...


"If you find yourself caught in love" - Belle & Sebastian (aos amigos Luiz e Lalá).

postado por Fábio, 4:47 PM |

Quinta-feira, Novembro 13, 2003

Da vida e da morte

É estranho pensar em alguém, lembrar de alguém e saber que você não vai mais ouvir sua voz, ver o seu rosto.
É estranho olhar pra um pedaço de terra e saber que, alguns palmos de terra abaixo, jaz alguém que você já abraçou, já beijou. Alguém que já te levou nos ombros, já serviu de prancha na praia, quando você ainda era menor que um skate.
Alguém que podia estar longe, por causa do trabalho, mas estava sempre ao alcance de uns números discados no aparelho telefônico. Distâncias vencidas por fios, ou por ônibus, que fosse.
Hoje fiquei com vontade de escrever sobre isso, não sei porque. Sempre tive em mente que não havia razões pra isso e que não o faria, mas hoje eu mudei de idéia.
Nunca lidei com mortes de pessoas muito próximas. Até que uma querida amiga da faculdade nos deixou, vítima de um aneurisma, se não me engano. Este mês fará três anos.
E fico sempre pensando: pior que a morte é continuar aqui sentindo a falta dos nossos. Acho que era só isso que eu queria dizer...

postado por Fábio, 4:42 PM |

Quarta-feira, Novembro 12, 2003

5 motivos pra ter um dia feliz

- Acordar e ver que o céu tá lindo, com poucas nuvens, e um sol fantástico
- Ver dois amigos apaixonados, um pelo outro
- Fechar um jornal, e saber que vai ter alguns momentos de paz
- Saber que hoje o cinema é mais barato
- Poder ouvir música


5 motivos pra ter um dia triste/irritante

- Chegar ao trabalho e ver São Paulo coberta pela poluição
- Saber que esses dois amigos estão distantes um do outro
- Quem trabalha com jornalismo nunca tem paz. Sempre surge um imprevisto
- Não saber se vai chegar a tempo de ver o filme desejado
- Saber que um casal tão jovem morreu barbaramente


Escolhas eu tenho, como podem ver. Como vai ser o resto do dia?

postado por Fábio, 11:14 AM |

Segunda-feira, Novembro 10, 2003

Caminhando

Márcio caminhava à toa pela cidade. Adorava a Avenida Paulista e fazia questão de passar por lá todos os dias, mesmo que não tivesse o que fazer. Seu ponto preferido eram as bancas de jornal, onde procurava novidades. Vez ou outra comprava uma revista. Desta vez, levou um gibi da Turma da Mônica. Estava com saudades dos personagens, que fizeram sua alegria por tantos anos.
Saiu feliz com uma sacolinha na mão, cheia papéis. Levava jornais, sua agenda e a caneta. Alguns folders e, claro, o gibi.
Era seu hábito assoviar ou cantarolar suas músicas preferidas. Uma moça que seguia em sentido contrário sorriu pra ele ao ouvira a música que ele cantava. Ela vestia uma camiseta de banda - a mesma da música de Márcio. Ele, que olhava pra cima, nem reparou.
Ele caminhou, caminhou, caminhou. Passou por cinemas, por lojas de CDs e livrarias. Não comprou nada, mas se inteirou dos lançamentos. "Amanhã passo aqui e compro algo", pensou.
Resolveu voltar pra casa. Seguiu rumo à estação de metrô mais próxima. Pouco antes de chegar, encontrou uma bela mulher na calçada, como que esperando alguém. Fitou-a demoradamente. Cabelos pretos, pele clara. Olhos muito vivos, estatura mediana. Muito bonita, mesmo. Ficou imaginando quem ela estaria esperando. Um namorado? Um rolo? Sentiu uma certa aflição no seu rosto. A pessoa deve estar bem atrasada. Talvez ela espere alguém que conheceu pela Internet. É comum um certo nervosismo nesse tipo de encontros.
Márcio seguiu em frente. Deu alguns passos e percebeu que a moça foi em sua direção, interrompendo o passo logo adiante. "Será que me confundiu com alguém?". Olhou pra trás para se certificar da primeira impressão. A moça olhava pra ele, como que aguardando alguma reação. Márcio reduziu o passo. Continuou a olhar fixamente para a mulher. "Não conheço essa moça. Deve haver um engano". Pensou em ir falar com ela, para eliminar quaisquer dúvidas, mas mudou de idéia. "Não faço a menor idéia de quem ela seja. Não me esqueceria de uma mulher tão bonita".
Chegou à entrada da estação. Desceu as escadas rolantes. Enquanto descia, percebeu que a moça continuava olhando para ele, enquanto ainda estava visível. Enquanto percorria o subsolo da cidade, Márcio brigava com suas lembranças.

postado por Fábio, 12:08 PM |

Quarta-feira, Novembro 05, 2003

Dia desses, pensei em fazer uma postagem com o título "Eu devo ser o único cara do mundo que...", citando alguns acontecimentos bizarros. Como achei que não ficou legal, deixei de lado. Até que a Luciana, mãe do lindo template desse blógui, escreveu uma pequena e bacana série: "Eu já...", "Eu quase..." e "Eu nunca...". Resolvi ser copião (estou numa fase Ctrl C + Ctrl V) e fazer a minha lista também...


Eu já:

- Invadi o gramado do Pacaembu
- Fui pro hospital tomar glicose por causa de um porre
- Mandei flores pruma menina que eu estava a fim
- Subi num palco pra cantar Falcão, Asa de Águia e Mamonas Assassinas
- Apresentei programa infantil no rádio
- Ganhei dinheiro (e cesta básica também) em bingo
- Trabalhei de servente de pedreiro
- Vi o Palmeiras ser campeão no estádio
- Beijei a mulher que amava numa chuva torrencial
- Dormi num banco de praça
- Tentei a sorte numa "peneira" de futebol
- Chamei uma pretendente pelo nome de outra (em quem eu estava mais interessado)
- Prestei vestibular bêbado
- Fui o CDF da classe
- Fui hostilizado por isso
- Quebrei o braço do meu irmão brincando de "karatê"
- Fiz missa prum vizinho morto, porque o padre faltou
- Tive um rolo com uma mulher casada
- Peguei carona sozinho, numa estrada totalmente escura, altas horas da noite
- Fiquei doente porque meu time perdeu um título
- Me fiz de namorado de uma amiga que não queria ficar com ninguém numa balada
- Fiz a quadra da Mega Sena

postado por Fábio, 2:15 PM |

Segunda-feira, Novembro 03, 2003

O preço

- Nunca pensei que ser bonita desse tanto trabalho.

Ouvir essa frase bastou para Clarinha perder toda a concentração. Estudava compenetrada seus exercícios de matemática, difíceis como sempre. Estava a ponto de entender a alma daquela fórmula insolúvel, quando ouviu os lamentos da amiga Ana. Era só o que faltava. Reclamar da beleza!

- Eu não agüento mais tanto homem me cantando. Só querem me comer, esses danados.

Clarinha aperta com força o lápis, quase a ponto de quebrar. Lembra do irmão, que ficou em casa. Nem foi trabalhar de tanta ressaca. Teve de dizer ao patrão que estava doente. Tinha bebido além da conta, por causa da Ana. E não fora a primeira vez. Enquanto isso, ela reclamava dos seus atributos. A vida era mesmo injusta.

- Já pensou que tem gente que gosta de você de verdade? - comentou Clarinha.

- Não sei de ninguém que goste realmente de mim. Se você souber de alguém, faça-me o favor de apresentar.

Clarinha pensou. Podia falar, mas não sabia se seu irmão aprovaria aquela indiscrição. Quis reprovar mais uma vez a amiga, mas desistiu. Ana percebeu que Clarinha queria dizer algo. Ficou aguardando. Como não houve resposta, ela mesmo resolveu quebrar o silêncio:

- Você acha que é legal perceber que, em todas as conversas com os meninos, eles nunca olham pra a sua cara, e sim pros seus peitos?

Ao ouvir o desabafo, Clarinha, ficou quieta e se pôs a pensar. Lembrou-se que, nas últimas semanas, a desejada Ana havia abdicado das blusas decotadas. De uma hora pra outra, passou a usar camisetas. Brancas, azuis, verdes. Sem nenhuma estampa e todas folgadas. É verdade, suas novas peças não realçavam seu belo corpo, mas não imaginou que fosse proposital.

Talvez aquele seu atributo, de tão intenso, fosse mais um fardo que uma bênção. Ana não fazia cara de enfado enquanto falava Pelo contrário, tinha o desânimo estampado no rosto, uma tristeza quase sem consolo. Porque será que o preço cobrado a toda dádiva é sempre tão alto?

postado por Fábio, 10:45 AM |