Conheça também
O Monoglota
Blóguis
*Abaixa a Bola
*Ah, o amor
*Arroz de Leite
*Bambu Oco
*Batom na Cueca
*Contact
*Cuméqué?
*Deus Morreu
*Doctor Phibes
*Hay Dias
*Megazona
*Nunca Plantávamos Coentro
*Paulo F.
*Querem me Enlouquecer
*Walkwoman
*Wish
Arquivos
Layout by Luciana C.
|
Quarta-feira, Outubro 29, 2003
Mais uma da safra 97/98.
Chuvas
Hoje os céus se uniram
E nos deu o seu suor
Cada um do seu chão
Abriu os olhos, estendeu os braços
E recebeu a dádiva divina
Ma há outros que se escondem
Com suas janelas fechadas
Embaçadas e Indecisas
Encostam sua face nos vidros
Suspiram de tristeza
E relembram o céu aberto
Impedidos, infelizes
Mazelas e dores nas costas
Choram por cada beijo ausente
Por cada sonho negado
As incertezas se fazem presente
A chuva que cai derruba os muros
Esfarelam partidas
comprometem chegadas
E por mais vidas que tragam
Será recebida com pedras e injúrias
postado por Fábio, 12:37 PM | Abra
a lata!
Terça-feira, Outubro 21, 2003
Minha vida daria um post
Me senti no Cinema Paradiso. Uma grande sala de cinema, um telão não menos. Todas as cadeiras ocupadas, na maior parte, por crianças. Gritos, bagunça. Sim, é meio difícil assistir a um filme nessas condições. Felizmente, o pessoal ficou quietinho quando o filme começou a rodar. Mas as crianças. Muitas crianças. É realmente incrível como havia pimpolhos e pentelhos no lugar. Certamente, era a primeira vez que visitavam uma sala pra ver um filme. Na melhor das hipóteses, estavam acostumadas ao vídeo cassete.
Me senti numa quermesse. Jovens se paquerando, alheio às explanações dos organizadores. Com música ainda é possível chamar a menina pra dançar. Com o filme é mais difícil. Talvez um "vamos aproveitar e fazer a mesma coisa?" quando rolar uma cena de beijo...
De novo, Cinema Paradiso. Antes do filme, um anúncio da Petrobrás, com várias cenas de beijos. Evidentemente todos pra lá de cinematográficos. A criançada vai ao delírio! Grita, ri, esperneia. Beijos. Há de chegar o momento deles, se é que já não chegaram. Não há como esquecer a cena em que o pequeno Totó se esconde no cinema para ver os filmes sendo submetidos à avaliação pelo pároco local. Totó consegue ver todos as cenas que seriam cortadas para exibição. A maioria de beijos, claro.
Sai feliz por ver um lindo filme e por saber que pessoas pobres, simples, exiladas do invejado circuito cultural paulistano, tiveram a mesma oportunidade. Sigo em direção à estação ferroviária. O caminho é de terra, ainda estou na periferia de São Paulo.
Cérebro de Ervilha
Tenho novos amigos de infância. Por dentro, ainda não cresci
postado por Fábio, 11:02 AM | Abra
a lata!
Sexta-feira, Outubro 17, 2003
Jair está com o braço direito esticado. O polegar, idem. Os carros passam, nenhum atende ao pedido de carona. Alguns motoristas acenam, como quem diz "Eu vou pro outro lado". Jair faz uma careta: "Era exatamente pra lá que eu ia, hipócrita!"
Distração? Falta de Solidariedade? Ou será medo? Tempos de desconfiança, poucos param. A fila de carros passam, assim como o comboio com cinco caminhões. Apenas um enconsta, mas seu destino é diferente do de Jair.
- Tudo bem, muito obrigado.
Agora, a estrada está vazia. Carro nenhum passa. Ele se distrai com o que está à sua volta. A rodovia parece um tapete. Duplicada, as faixas estão nítidas, perfeitas. linhas brancas que se perdem no horizonte com o asfalto e levam a lugares conhecidos, a lembranças intensas, a beijos longos e a papos na mesa de bar.
Levam também a cidades por onde passou fugazmente. Fez questão de visitá-las apenas pelo prazer da viagem. O que visitou, o que conheceu? Quase nada. Foi a uma lanchonete, tomou uma cerveja. Visitou algumas lojas e andou pelo Centro. Vez ou outra, passou a noite nesses lugares, dormindo em bancos de praça.
E pra quê? Não havia prazer nessas cidades. A graça toda estava em viajar, sair de casa e se aventurar nas estradas, caminhar pelos acostamentos com uma mochila nas costas ou um livro na mão. Esticar o polegar em direção ao rumo desejado. Jogar conversa fora com os motoristas e, claro, ouvir muita lorota. Passar alguns sustos, sim.
Jair olha pra cima e vê muitos urubus voando em círculos, exatamente acima dele. Sinal que está há muito tempo na estrada, em busca da carona. Dá uma gargalhada nervosa. Aproveita o pouco fluxo de veículos e sai da estrada, vai tomar um pouco d¿água no posto de gasolina ali perto. Lava o rosto e volta, revigorado. Mais uma pessoa pára, mas vai pra outra cidade.
- Será que de lá não consigo outra carona?
- Talvez. Você pode descer depois do trevo, pra pegar os carros que vêm da outra estrada.
- Beleza.
Jair entra no carro. Vai descer 20 quilômetros à frente, onde continuará pegando carona. Ele não sabe, mas ainda sentirá saudades desses dias.
postado por Fábio, 12:16 PM | Abra
a lata!
Quarta-feira, Outubro 15, 2003
Onde estão?
Onde estão aquelas mensagem que mandamos, já cheios de curiosidade pelas respostas? E as respostas, onde estão?
Onde estão aquelas pessoas com quem conversamos a noite inteira, pelo telefone, mesmo sem ter o que dizer, só pelo prazer de ouvir a voz?
E as frases que não esperávamos, mas que entraram pelos nossos ouvidos e foram direto ao coração, sem escalas?
As brincadeiras! Onde estão aquelas que fazíamos em nosso tempo de criança, e que hoje mal vemos nas ruas?
Onde estão as palavras, que vinham fáceis na mente e saíam em borbotões pelas nossas canetas?
Onde estou agora?
postado por Fábio, 11:12 AM | Abra
a lata!
Segunda-feira, Outubro 13, 2003
Meus chicletes
Músicas são chicletes e isso é sabido. Por quê? Nunca sabemos. Dizer que ela é boa ou linda é simplista, não explica nada. É linda para nós, para outros, nem tanto. Mas sempre haverá algo nelas que nos enleva, que nos alegra. Um acorde, um instrumento, um verso, uma estrofe. Às vezes apenas uma releitura, uma nova interpretação pra mesma música. Você ouve a música e gosta. Tempos depois ouve a mesma canção, em outra versão. E ela te apaixona.
O refrão? Ah, o refrão...
É sempre complicado falar de música, porque ela geralmente fala por nós. E fala EM nós. Em todo momento bacana - viagens, por exemplo - há uma música que marca. Ela pode tocar sempre naquele lugar, ou apenas num instante único. É o que basta.
É por isso que, mesmo preso em uma solitária sala, trabalhando feito louco, você será feliz se tiver a oportunidade de ouvir novamente aquelas canções. Porque elas serão um bálsamo para os seus males. Sim, você teve dias ótimos. E terá outros. Viva, e escolha sua música!
postado por Fábio, 1:19 PM | Abra
a lata!
Bom, tive um pequeno problema aqui. Minha postagem se multiplicou como coelho. Como não sei apagar postagens no Blogger, vou ter que colocar outras coisas no lugar dos textos repetidos. Como não tenho mais nada pra colocar hoje, vou apelar aos super-heróis:
Poema dos olhos da amada
Ó minha amada
Que olhos os teus
São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe nos breus...
Ó minha amada
Que olhos os teus
Quanto mistério
Nos olhos teus
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus...
Ó minha amada
Que olhos os teus
Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas eras
Nos olhos teus.
Ah, minha amada
De olhos ateus
Cria a esperança
Nos olhos meus
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus.
Vinícius de Moraes. Rio de Janeiro, 1950
postado por Fábio, 1:17 PM | Abra
a lata!
Siempre
Aunque los pasos toquen mil años este sitio,
no borrarán la sangre de los que aquí cayeron.
Y no se extinguirá la hora en que caísteis,
aunque miles de voces crucen este silencio.
La lluvia empapará las piedras de la plaza,
pero no apagará vuestros nombres de fuego.
Mil noches caerán con sus alas oscuras,
sin destruir el día que esperan estos muertos.
El día que esperamos a lo largo del mundo
tantos hombres, el día final del sufrimiento.
Un día de justicia conquistada en la lucha,
y vosotros, hermanos caídos, en silencio,
estaréis con nosotros en ese vasto día
de la lucha final, en ese día inmenso.
Pablo Neruda, Canto Geral
postado por Fábio, 1:15 PM | Abra
a lata!
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)
Álvaro de Campos. Lisboa, 1935
postado por Fábio, 1:15 PM | Abra
a lata!
Saudades
Saudades! Sim... Talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como o pão!
Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!
E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!
Florbela Espanca
postado por Fábio, 1:08 PM | Abra
a lata!
Cérebro de Ervilha
A vida é como um mergulho. É sempre bom se jogar, mas nem sempre de cabeça.
postado por Fábio, 1:07 PM | Abra
a lata!
Um dia, hei de vencer.
Um dia, hei de entender
Um dia, hei de tomar vergonha na cara e aprender, de uma vez por todas, que o Blogger foi inventado pelo Murphy!
postado por Fábio, 1:06 PM | Abra
a lata!
Só pra não esquecer...

postado por Fábio, 1:05 PM | Abra
a lata!
..
postado por Fábio, 1:05 PM | Abra
a lata!
.
postado por Fábio, 12:58 PM | Abra
a lata!
Teste
postado por Fábio, 12:58 PM | Abra
a lata!
Apagando. De novo...
postado por Fábio, 12:57 PM | Abra
a lata!
Postei, sem querer, duas vezes. Apagando...
postado por Fábio, 12:56 PM | Abra
a lata!
Quinta-feira, Outubro 09, 2003
Minha vida daria um post
Da série: "Grandes Momentos da Timidez Abissal" (em homenagem à Alice, que conta esse tipo de história como ninguém...)
(mané) - Quanto tá esse caderno?
(moça do balcão) - Tanto.
(mané) - E esse caderno?
(moça do balcão) - Tanto.
(mané) - E essas canetas, quanto custam?
(moça do balcão) - Tanto.
(mané) - Tá bom. Vou levar isto, isso e aquilo.
(moça do balcão) - Você não quer me levar também?
(mané) - ...
Isso foi há uns 10 anos. Mas acho que isso não é desculpa!
Cérebro de Ervilha
A primavera traz as rosas, mas também os cravos
postado por Fábio, 8:09 PM | Abra
a lata!
Terça-feira, Outubro 07, 2003
Caminhada
Hoje eu tive visões
Imagens que falavam de amor
Esperanças gravadas em sons
Abutres que comiam carne limpa
Uma história que eu não entendia
Esses anos que passei encantado
Não bastaram para que eu vivesse
Até entendi algumas vezes
As nossas mais sinceras alegrias
E as distâncias percorridas em vão
Num dia desses, estranho na rua
Vou contando as casas, vilas solitárias
Numa ansiedade incomum pra mim
Mas é produto dos sonhos
Imagens que falavam de um bem
Sensações que me cercavam
Impressões que se sucediam
Hoje eu tive visões
Imagens que falavam de tudo
De todos, de ninguém
Apenas de mim, talvez
Creio eu que acabou, é quase certo
O pouco fôlego que ainda me resta
É pra abrir os olhos e ver
As águas e as dores
Que invadiram nossa estrada
postado por Fábio, 11:48 AM | Abra
a lata!
Segunda-feira, Outubro 06, 2003
Só rezando, mesmo...
Cérebro de Ervilha
Se trabalho fosse bom, Deus não teria dado como castigo pra Adão
postado por Fábio, 7:55 PM | Abra
a lata!
Quinta-feira, Outubro 02, 2003
Mais uma das antigas...
Sem saber
Quero dar a ela
A luz que ainda procuro
Estender ao seu colo
O calor que ainda me falta
Quero abrir meus braços
À energia que não vem a mim
E trazer para meu lado
Todos os amores sem fim
Abro os olhos em busca de algo
Que me possa embalar
Algo que me leve até longe
Algo que eu possa abraçar
Eu quero dar a ela
Vidas que ainda não encontro
Mas que eu saberei lhe dar
E quem sabe em um instante
Possa enfim nos alegrar
Cérebro de Ervilha
Pra descer, todo santo ajuda. Às vezes até demais!
postado por Fábio, 5:56 PM | Abra
a lata!
|