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Terça-feira, Setembro 30, 2003
Breve resmungo
A coluna da esquerda desse blógui, como vocês podem perceber, está bem revoltada. Tomou o lugar da coluna das postagens, numa atitude inusitada. Um grito de independência. Uma forte tendência socialista? Num sei. Só sei que preciso dar um jeito nisso aqui, e não sei como.
É tudo culpa da Unilever. EU ODEIO A UNILEVER!!!!!!!
postado por Fábio, 10:07 AM | Abra
a lata!
Sexta-feira, Setembro 26, 2003
Toda canção é para ti
As luzes da pista se apagam, os spots do palco se acendem. A primazia do primeiro acorde é do guitarrista, um riff contagiante. É uma canção que os fãs conhecem e amam. Os gritos da galera são inevitáveis.
Ele segue tocando. A guitarra parece assoviar, tal a forma com que é tocada. Os primeiros segundos empolgam a platéia. Mas são os momentos cantados que o fazem arrepiar da cabeça aos pés:
Quando olho você ao longe
É tudo tão simples...
A voz dela parece a de um anjo, suave. Mas sabe ser forte quando preciso. A entonação é perfeita. O público fica maravilhado. Ele também. "A existência de uma mulher assim é um bom motivo para o mundo continuar existindo", pensa.
Eu te procuro em cada estação
Quem sabe naquele vagão vazio
- Essa música é linda demais - uma fã comenta ao gritos, na fila do gargarejo.
O guitarrista está perto e ouve o comentário. Não consegue evitar o sorriso. Fica feliz em saber que a sua música agrada as pessoas. A modéstia desaparece nesse momento. A canção que compôs - letra e música - é linda. E ele sabe disso.
- E a Luana cantando? Parece que a música nasceu pra ela
O guitarrista continua sorrindo, mas agora é um sorriso diferente. Ele sorri de nervoso. A música foi realmente feito pra ela. Letra e música gestadas com Luana na cabeça. Nos momentos em que riam juntos, se abraçavam. Lembra dos instantes em que tocavam canções dos Beatles ao piano, um ao lado do outro, um sendo a extensão do outro. Tudo perfeito. Pena que as coisas são assim apenas na música.
Se você soubesse escutar
Mesmo sem eu te dizer
Luana é uma performer de primeira. Dança, vira os olhos, agita os braços a cada variação da música, a cada nova estrofe da letra. Olha para a platéia, acena para os fãs mais animados. O guitarrista não consegue tirar os olhos dela. Gostaria tanto que ela olhasse um pouco mais para ele, que sorrisse, assim como faz para o Benê, segunda guitarra. Este sim era feliz, tinha o privilégio de ser o destinatário dos olhares mais entusiasmados, das frases mais bonitas e dos beijos que vinham de Luana. O guitarrista olha fixamente para seu instrumento, mas nem precisaria. Sabe tocar todas as músicas do show de olhos fechados. Só quer evitar a tristeza. Sua cabeça está longe, nem percebe que várias meninas, uma mais linda que a outra, se acotovelam na grade que separa público do palco, só para vê-lo melhor. Os suspiros das moças, ele mal percebe.
Fim da música. É um dos poucos momentos em que Luana foca toda sua atenção no guitarrista. Ela se dirige para a platéia, empolgada:
- Palmas para o Márcio, o melhor compositor do Brasil!
Os urros tomam conta da casa de shows, lotada como sempre. Melhor compositor do Brasil é um exagero. Preferia que outros adjetivos viessem de sua boca, mas sabe que é inútil sonhar.
- A banda não seria o que é hoje sem ele. - continua Luana.
Ele balança a cabeça, negativamente. O sorriso nervoso volta. Definitivamente, o que ela disse não corresponde à realidade.
"Luana, a banda é o que é hoje por sua causa. Porque todas as canções são pra você" - ele pensa. Um dia, há de falar isso a ela. Não hoje. O show tem de continuar.
postado por Fábio, 10:12 AM | Abra
a lata!
Terça-feira, Setembro 16, 2003
Vontade de dormir, esquecer tudo.
Ou de sumir, também esquecendo tudo. Também existiu a vontade de viajar, conhecer coisas novas. Coisas para lembrar, porque não?
Sono profundo
Onde deixar a sua paz?
Não há como ter juízo
Sem sentar, meditar e ver
Que nosso mundo é errado
Para viver sem culpa
Somente se não mais escolher
Ir deitar, sem nunca mais
Ter a noite que sonhou
E depois de tudo se sentar
Na poltrona macia e dormir
Para um dia, talvez
Criar a estrada de versos
De um tempo que você fez passar
Sem pensar que um dia
Haveria nuvens a partir
postado por Fábio, 10:54 AM | Abra
a lata!
Terça-feira, Setembro 09, 2003
AGRADECIMENTOS
Quero agradecer a todos que enviaram suas mensagens de condolências. Obrigado pelos telefonemas, pelos e-mail, pelos recados nos comentários deste blógui e d'O Monoglota. Obrigado pelo carinho, pela compreensão e pela força. Vocês foram muito importantes, mesmo, nesse momento difícil.
Em breve, estarei de volta.
Até mais. Abraços a todos!
postado por Fábio, 10:42 AM | Abra
a lata!
Sexta-feira, Setembro 05, 2003
Olá, pessoal!
Meu pai faleceu na noite de quarta-feira, pouco antes de chegar em casa. Na tarde de ontem, o enterramos.
Quando tiver condições, volto a postar.
Até mais!!!
postado por Fábio, 11:35 AM | Abra
a lata!
Segunda-feira, Setembro 01, 2003
Karina apertava as mãos, apreensiva. Aguardava, desde o dia anterior, aquela correspondência. São tempos de Internet e ela à espera de uma carta comum, dessas feitas de papel, caneta e, algumas vezes, carinho. Tal e qual no século passado.
Olhou no relógio: meio-dia. Contava com a vinda do carteiro ainda pela manhã. Pensou no conteúdo já sabido da correspondência e resolveu relaxar. Foi à cozinha, acendeu o fogo e esquentou o café. Sorveu longos goles, seguidos de um longo suspiro.
Sentindo-se mais tranqüila, Karina sentou-se no sofá da sala. O rádio seria um bom companheiro nessa hora, pensou. Embaladas pelas suaves canções de sua estação preferida, fechou os olhos, esboçou um sorriso e adormeceu. Sonhou com festas, muitas músicas, um beijo longo e quente.
A campainha estridente a tirou do enlevo provocado por aquele sonho. Levantou-se às pressas e se dirigiu à caixa de correspondências. Três envelopes a esperavam.
Um deles era a conta de luz
O segundo era propaganda institucional
O último envelope era o esperado.
A ansiedade que a consumia momentos atrás desapareceu por completo. Ela abriu calmamente o envelope. Sacou de seu interior uma folha de papel, levemente amassada, onde se lia em letras garrafais:
"Isto é um teste? Ou uma maneira de receber uma carta?"
Deu um sorriso amargo. Sabia bem a resposta. Olhou para o remetente e rasgou o envelope, com a mesma calma com que o abriu. Jogou-o no lixo e ficou longas horas absorta em pensamentos, imaginando quando receberia outra carta. De preferência, que não fosse de si mesma.
postado por Fábio, 8:10 PM | Abra
a lata!
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