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Layout by Luciana C. |
Segunda-feira, Agosto 25, 2003
"Eu que já não sou assim
Muito de ganhar
Junto as mãos ao meu redor
Faço o melhor
Que sou capaz
Só pra viver em paz"
Confesso que não sou lá um grande entendedor de música. Não sei tocar nenhum instrumento, não sei distinguir um ré de um dó e o fato de não falar inglês atrapalha bastante na compreensão imediata de certas bandas. Mas posso dizer que sou um amante da música, sim. Porque o importante é, antes de tudo, gostar, sentir a canção.
E esses meus dias têm sido de muita música. Dormi e acordei ouvindo música, comi ouvindo música, andei ouvindo música. Quando não nos aparelhos de som, na mente.
Fui ao show dos Los Hermanos, na quinta-feira. Foi uma apresentação catártica, que mais pareceu um culto. Eu fiquei abobado, os caras me emocionaram com a maneira bonita e simples de se apresentar. Claro que, na sexta-feira inteira (e em boa parte do final de semana), fiquei com músicas da banda na cabeça.
"Why do you come here?
And why do you hang around?
I'm so sorry
I'm so sorry"
Sábado de manhã, cheguei em São Thomé das Letras. Mais música a caminho. A cada passo, mais acordes do show reverberavam na mente. Nos bares, nas cachoeiras, na barracas, mais música. Clube da Esquina, Legião Urbana, Belle & Sebastian, Beatles, Alceu Valença. Uma mistureba, sim. Mas o importante é curtir a música que você gosta. E, claro, as pessoas que estão ao seu lado.
"Vamos fugir
Desse lugar, baby
Vamos fugir
Onde quer que você vá
Que você me carregue"
Um lindo nascer do Sol, como sempre, em São Thomé. O que dá pra dizer a respeito? Minha querida amiga Mary Jo fez um comentário sobre o show dos Los Hermanos que pode ser aplicado aqui: não dá pra descrever, só sentir. Incrível como algo assim pode mexer com a gente.
"Você pega o trem azul
O Sol na cabeça
O Sol pega o trem azul
Você na cabeça
O Sol na cabeça"
Caminho de volta, mais canções. No toca CDs do ônibus, no discman, no walkman. Música regendo nossos passos, nossos pensamentos. É a banda de apoio da nossa existência. Só espero não desafinar ou errar a letra. Que venham novas melodias.
postado por Fábio, 8:44 PM | Abra a lata!
Quinta-feira, Agosto 21, 2003
Minha vida daria um post
Os anos que passei em Bauru, onde cursei minha faculdade, foram de muitas histórias. Viagens pelo interior do estado, caronas inusitadas. Correndo atrás de shows ou simplesmente novos ares. E também visitas à família, em Sampa.
Numa dessas ocasiões, estava na estrada com meu amigo Sandro, os dois em busca de uma carona. Tudo para economizar preciosos reais. Parou um Honda Civic, vermelho. Importado. Invocado era pouco.
O motorista era um senhor com seus 50 anos, mais ou menos. Cheio de histórias pra contar, foi falando de invenções, acidentes de grandes proporções no litoral norte paulista e até mesmo de suas noites de farra na famigerada Casa da Eny, o maior prostíbulo da América Latina nos anos 70, que ficava em Bauru mesmo. "Fui um dos maiores rufiões de lá", gabava-se.
Em meio aos vários temas discutidos, aquele senhor começou a falar dos graves problemas de saúde pelos quais passava e suas conseqüências financeiras: ele fora um homem bem sucedido, com dinheiro, propriedades, mas perdeu tudo com os tratamentos, cirurgias e remédios necessários para mantê-lo neste mundo. Disse que o único bem que lhe sobrou foi o carro.
- Eu o mantenho para manter as aparências.
E começou a se lamuriar sem parar. Falou do mundo em que vivia, onde as pessoas só dão valor a quem tem dinheiro e/ou bens. Que o carro era uma forma de manter sua vida social, de as pessoas não se afastarem dele. Disse que tinha vergonha de estar naquela situação e não podia admitir a ruína financeira. Tinha de se esconder, usar o carro como biombo. Seu Honda Civic seria a máscara que precisava para manter a imagem que sempre passou, para ser aceito.
- Falo isso pra vocês porque preciso desabafar. E sei que não vou vê-los mais. Mas não posso falar isso pras pessoas que eu conheço.
Pode até ser uma grande invenção daquele homem. Mas ele parecia mesmo angustiado. A história narrada por ele é um retrato bem acabado do mundo de hoje. Hipocrisia, falsidade, artificialidade. Um mundo feito de imagens, de uma sociedade oca. Um lugar onde não há pessoas, apenas bonecos falantes, portadoras de bens materiais ou de beleza física. Bibelôs do mundo, desprovidos de ideais, sentimentos, de alma.
Espero nunca ter "amigos" assim.
Cérebro de ervilha
"Você percebe que o tempo passa rápido demais quando tem a impressão que as bienais acontecem a cada ano"
postado por Fábio, 4:15 PM | Abra a lata!
Quarta-feira, Agosto 20, 2003
Cláudio lia vorazmente. Um livro da faculdade. Era pesado, difícil, toda atenção é necessária. Compenetrado, ele passa pelas folhas, apreendendo as palavras e buscando um sentido para elas. A concentração o leva a Galápagos, à Pangéia, à origem das espécies.
- Estação Tatuapé - É o condutor do trem, anunciando aos passageiros a próxima estação.
Cláudio não ouve, concentrado que está na leitura. Interrompe a leitura, para ver onde está. Por cima dos óculos, vê as pessoas na plataforma, esperando o trem. Detém seus olhos nelas. E encontra uma visão familiar. Marisa.
Ela está com mochila e jaqueta, provavelmente vindo do cursinho. Os cabelos, loiros como sempre, estão curtos. Nunca pôde imaginar o quanto ficaria linda com aquele corte. Fica ansioso, aperta as mãos. Quer e precisa falar com ela. Marisa, porém, entra em outro vagão.
Se levanta, para encontrá-la mas não é rápido o bastante. O comboio fecha suas portas e parte. O jeito é esperar até a próxima estação.
Há dois meses que não a vê. Desde a última conversa entre os dois, que terminou numa discussão tão violenta quanto desnecessária. "Mais um mal entendido", diz, ciente da burrada que fez. Mas admitir não fará as coisas mudarem. O jeito é falar com ela, pedir desculpas, tentar acertar os ponteiros. Dois meses. Porque não a procurou antes? E porque ela não o fez? Será que Marisa estaria tão chateada a ponto de não o procurar? Estaria indecisa, confusa como ele?
Talvez espere a iniciativa dele. Mulheres sempre esperam nossa ligação, elas nunca ligam. Preferem se queixar de um possível abandono a darem o primeiro passo. Uma montanha de idéias e suposições voam pela cabeça de Cláudio. Diálogos são lembrados, outros são imaginados. "Como tudo começou?" Pergunta ele. Não se lembra bem. Só sabe como tudo terminou: ambos saindo do cinema, ele bufando, ela chorando, cada um para um lado. E dois meses sem se falar. Onde já se viu tanto tempo longe um do outro, com tantas arestas para aparar? E pior: onde já se viu começar uma briga no cinema?
O livro, como era de se esperar, já foi relegado a segundo plano. Ele agora só pensa em Marisa, na briga, nos seus olhos, nos seus cabelos. "Como pude dizer aquilo tudo, fazer aquelas acusações?", pensa. A insegurança sempre foi seu maior defeito. Tentava ser uma pessoa melhor, mais confiante, mas não conseguia.
- Estação Corinthians-Itaquera
É agora. Marisa deve descer para pegar um ônibus. Cláudio desceria na próxima estação, mas precisa falar com ela, se desculpar, tentar explicar tudo. Ela sai do vagão e desce, célere, pela escada rolante. Ele fica petrificado. "E se ela me repelir?". Os pensamentos o confundem. As portas se fecham e o trem parte. Ele prossegue sua viagem.
postado por Fábio, 11:41 AM | Abra a lata!
Segunda-feira, Agosto 18, 2003
Dizem que a verdadeira felicidade está nas pequenas coisas. Talvez seja apenas uma força de expressão. Mas não há como negar: há certos acontecimentos que nos deixam felizes por dias. Em alguns casos, nos faltam até as palavras.
É este o meu caso. O motivo, vocês já podem ver: este lindo template, criado pela Luciana C.. Na falta de palavras à altura do presente, só me resta dizer:
OBRIGADO, LU! VOCÊ É SUPIMPA!!!!
postado por Fábio, 12:19 PM | Abra a lata!
Quinta-feira, Agosto 14, 2003
Essa eu fiz em 98. Talvez 99. Isto aqui era uma letra de música. É mole? Foi devidamente arquivada, dada a baixa qualidade.
Relendo essas linhas, após algum tempo, vejo que ela não é tão ruim assim, acho-a razoável. Embora, claro, continue achando que não serve pra música alguma!
Canção sem nome
Posso ouvir em qualquer lado
Aquela voz ecoando
Algumas frases, todas soltas
Uma distância encurtando
Estar em pé e esperar
Aquele sonho
As mensagens vêm em gotas
Me desesperando
Pode o tempo não mudar enquanto corre?
Uma semana é pouco pra quem vive
Pode o velho escrito sussurrar
Enquanto morre?
Eu não quero mais me despedir
Este lugar não tem sentido...
São como as cartas
Abertas de um amor que some
São de alguém em um lugar
Que não existe
São como os versos
De uma velha canção sem nome
Viver é esperar
Pelo dia de morrer
Ou de voltar
postado por Fábio, 10:49 AM | Abra a lata!
Terça-feira, Agosto 12, 2003
A velha Luana
A esmagadora maioria dos meus textos para os blóguis (90%, talvez), têm sido feitos no computador mesmo, para depois passarem pelo conhecido método copiar/colar na área de postagem do Blogger. As exceções, claro, são os textos antigos que vez ou outra transcrevo aqui. Este, porém, é diferente. O que você lê agora foi feito ontem à noite, em casa, com as lâmpadas apagadas? A iluminar a folha do caderno, apenas a Lua, intensa, soberana no céu.
Sim, a Lua parecia feliz, de tão bela, de tão brilhante. O céu escondeu suas nuvens em algum lugar, para que só ela despontasse. As estrelas, claro, sumiram, todas ofuscadas. As poucas visíveis estavam tímidas, servis. Quase que um grupo de aias, acompanhantes da grande dama.
Escrever apenas com a luz da Lua foi a homenagem que prestei a ela. Pouco, mas o melhor que podia oferecer.
A luz é intensa e me permite escrever, me liberta das lâmpadas. O facho de luz que entra pela janela é estreito, mas o bastante para iluminar meu caderno. Fico lembrando das luas iguais que presenciei, em locais sem iluminação artificial. Era quase um Sol na noite. Me bate a saudade, vontade de reviver esses momentos, quando quase sempre havia uma canção a me embalar, a me confortar.
Talvez por isso eu me lembre de alguma música toda vez que olho pro céu e a vejo. Ela é quase que uma jukebox de prata, que guarda todas as minhas canções. E justo agora, que meu aparelho de som resolveu se calar e me deixar na mão.
Escrever em sua luz, amiga Lua, me dá antes de mais nada um bem estar. Talvez daí o texto piegas. É bom ser piegas quando se está bem consigo mesmo. Mas ainda me faltam palavras para dizer o quanto sua luz significa pra mim e por quantas vezes fiquei te admirando. Talvez nem seja preciso Pelo pequeno facho de luz que entra em casa, sei que você me vê. E pisca pra mim antes de sumir.
Cérebro de Ervilha
"Minha vida é um álbum de figurinhas" (tenho a impressão que essa frase não é lá muito original. Espero estar enganado...)
postado por Fábio, 10:31 AM | Abra a lata!
Sexta-feira, Agosto 08, 2003
E que vontade de caminhar pela Paulista, sentir o vento gelado, a luz de um Sol tímido. Caminhando apenas, sem pensar em chegar, sem pensar em voltar. Sem pensar em nada...
Ruas de Espera
Um dia que passa
Entre as ruas e os passantes
No frio corredor de edifícios
Espero agora te encontrar
Entre carros, luzes e ambulantes
Caminhando por este lugar
Quero entender seu rosto
Te alcançar antes da multidão
Que se espreme nas calçadas
E levar você a um céu claro
Poder te dar outra visão
Quero ouvir notas tristes
E versos saudosos
Enquanto te espero voltar
Num deserto de poucas linhas
Nas cores que me inspiram
Vou procurar enquanto puder
Caminhando sem parar
Em busca de um alento
Nos seus olhos de céu claro
Olhando pro mesmo lugar
Cérebro de ervilha
"Por que judeu ortodoxo não usa túnica?"
postado por Fábio, 4:42 PM | Abra a lata!
Terça-feira, Agosto 05, 2003
Quando eu criei este segundo blógui (pra quem não conhece, o outro é este aqui), minha intenção era apenas colocar algumas coisas que escrevi ou ando escrevendo. Vez ou outra, algumas reminiscências e/ou resmungos. Mas o que eu recebi hoje, por e-mail, merece ser postado.
Dez Chamamentos Ao Amigo
I
Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse
Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta
Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.
HILST, Hilda. Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão. São Paulo: Editora Globo, 2001. p.17
postado por Fábio, 4:55 PM | Abra a lata!
Sexta-feira, Agosto 01, 2003
Minha vida daria um post
Vira e mexe eu "vou pro mato". Bom, é assim que muitos dizem. Mas essa é uma expressão inadequada, já que costumo acampar sim, mas sempre em cidades ou vilarejos. Sempre em lugares com mirantes, cachoeiras ou rios. Onde haja muito verde e, à noite, uma baladinha básica. Um pouco de música e gente pra conversar.
É preciso dar um tempo, se afastar do trânsito e da poluição, de vez em quando. Adoro São Paulo, mas o lugar é bem estressante. O trabalho idem.
Nessas fugas, um dos lugares mais bacanas que eu já conheci foi Ibitipoca, em Minas Gerais (onde mais?). É pertinho de Juiz de Fora e o povo fala com sotaque misto de carioca e mineiro. Passei lá o último reveillon e foi muito bacana. As festas à noite foram bem animadas e a paisagem...
A foto acima foi tirada no alto da Janela do Céu, uma bela cachoeira de 70 metros, no final do Parque Estadual de Ibitipoca que, aliás, é fantástico. Muitas grutas, cachoeiras e rios embelezam as muitas trilhas do lugar. Para quem quer escapar da Selva de Pedra, taí uma ótima pedida. Outra queda d'água, menor mas igualmente linda, é a Cachoeirinha. São 35 metros e, ao contrário da outra, é possível tomar uma "ducha". Imagine a sensação de percorrer a trilha em direção a ela e contemplar esta visão:
Lindo, né?
E não vejo a hora de voltar pra lá!
postado por Fábio, 11:04 AM | Abra a lata!
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