Terça-feira, Julho 29, 2003
Sem foto
Como a foto não apareceu aqui, resolvi dar sumiço na postagem e colocar outra. Vou transcrever mais um texto antigo meu. É de uma época em que escrevia sem parar e, por isso, cometia atrocidades ininterruptas. Mas algo se salva (creio eu). Uma das que eu gosto é essa aí:
Primavera
Primavera voltou a nascer
Flores abertas, e suas cores
Deram de novo a vida
Aos sonhadores eternos
Que um dia tiveram
A triste dor de acordar
Primavera voltou a florescer
Nos campos abertos
Na relva verde
E nos corações esperaçosos
Estamos a viver as antigas emoções
Que se perderam num breve dia
E crescerão nas viagens
E encontros constantes
Dias belos voltaram a raiar
Nos telhados das casas
E nas roupas estendidas nos varais
Canções ecoaram
Nos violões e nos brados
Nas avenidas e cidades
É realidade, afinal
A distante primavera chegou, afinal
E agora é só colher as pétalas
Eu, que tenho 15 anos
Uma colega blogueira diz que tem 16 anos (na verdade tem dez a mais, já é quase uma senhora), porque tem atitudes e dilemas de adolescentes. Pois eu devo ter ainda menos. Sim, porque esse negócio de teste é a coisa mais teen que possa haver. E eu ando fazendo vários. Mas é algo bem besta, porque esqueço o resultado logo. A graça é rir naquele momento.
Isso porque as perguntas são as mais surreais possíveis. Os resultados, então, nem se fala. Mas este até merece publicação, por se tratar da minha banda preferida, muito preciosa pra mim. E o disco é uma das coisas mais lindas que ouvi na vida.
 Voce eh o album AS QUATRO ESTACOES, do Legiao Urbana. Sensivel, muito intenso e com uma personalidade forte, voce faz o que bem entende, sem se preocupar muito com a opiniao dos outros.
Que album do Legiao Urbana voce eh? brought to you by Quizilla
Cérebro de ervilha
"Não deixe pra amanhã o que você pode fazer depois de amanhã"
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Sexta-feira, Julho 25, 2003
Trabalho, trabalho, trabalho. Pouco tempo pra pensar, mas muitos pensamentos pra embalar. Ficam então espremidos, como sardinhas a mais na lata. Ansiedade chegou aqui e parou, como em muitas outras vezes. Um corpo com 75% (ou algo parecido) de água e o restante de pura ansiedade. Vontade de viver 100 minutos a cada hora. E medo que tenham sido apenas 10, quando outra hora começar. Mas então que venha, vamos ver o que será desta nova hora.
É estranho pensar nisso e, ao mexer nos velhos papéis, encontrar coisas como os escritos abaixo. "Saudades do futuro" é você saber que, no futuro, sentirá saudades do que viveu hoje. Pode ser bom (tenho recordações felizes. Coisas legais pra lembrar) ou ruim (eu era feliz e não sabia).
Repito: é estranho, porque penso na ansiedade hoje e "Saudades do Futuro" fala das mesmas coisas, só que em 1996/7.
Saudades do futuro
Saudades tenho, tive e terei
Nunca me esqueço dos sonhos
Dos pesadelos e da vida
Vou passando a limpo
Num confidente mudo
Os traços tristes da minha loucura
As coisas belas das minhas viagens
Saudades tive, tenho e terei
Dos dias que ainda virão
E das coisas que jamais existiram
Mas quem sabe onde podemos ganhá-las
Ou onde iremos perdê-las?
Saudades das crianças que conheci
Das crianças que não mais se criam
Por menores que elas sejam
Nostalgia das músicas
Que embalavam nossos dias
Planos e caminhos
Nossas vidas e crenças
Saudades terei, para sempre
Não me livrarei de tal destino
Haveremos de continuar
Vencer, caminhar, perder
Mas nossas pedras continuam lá
E o caminho de volta está intacto
Na retina, na memória
Num momento supremo
Nunca me esqueço dos sonhos
E das visões que tive
Raízes firmes no chão
Essas saudades intensas
No futuro, sempre aqui
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Segunda-feira, Julho 21, 2003
Manhã de inverno
Hoje o Sol nasceu mais claro
Pras crianças que riem
E choram a inocência
Para as velhas com seus tricôs
E as mães com seus aventais
Hoje o vento bateu mais brando
No rosto do apaixonado
E no ventre do ébrio
As nuvens que ainda dormem
Se desvanecem na veste azul
Nesse momento terno
Início de vida e morte
Que é manhã de inverno
Os sinais de vida
Inda restam no corpo
Sol, dia e vento
Trazem o vigor e a sede
E viver é mais caminhar
Hoje o céu nasceu mais lindo
Pros boêmios e malditos
Que esperam o perdão eterno
Pros poetas enjaulados
Em sua condição perene
Esperando que o amor e o ódio
Um dia em si serene
Ctrl+C, Ctrl+V
Ando roubando imagens de todo lugar... esta aqui é do Gustavo:
Cérebro de Ervilha
"Você sabe que sua rádio preferida vai virar um lixo quando ela sintonizar diretinho no seu aparelho de som"
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Sexta-feira, Julho 18, 2003
Breve pedido
Que fujam de mim os diálogos curtos, as frases incompletas. Idéias que pedem uma haste que as sustente, como uma videira. Chega de pensamentos que precisam de frio, um Sol fraquinho e um pouco de água para viver. Idéias que explodem ao mais leve toque, idéias-uva.
Que sumam pra sempre os mal-entendidos, as injustiças e os falsos juízos. Desvaneçam do céu essas que parecem nuvens, montinhos de algodão, mas são pura fumaça, opiniões tóxicas, línguas exalando monóxido de carbono.
Alguém há de conhecer um lugar de pensamentos limpos como o céu numa manhã clara de inverno. De ideais puros como água numa serra intocada. De olhares calmos e felizes, tão espontâneos quanto perenes.
E quem há de mostrar o caminho até lá? Caminho feito de risos, uma estrada de cores, bem distante do trajeto de sempre. Ah, pois o caminho que vejo todos percorrem. E ele caem e se machucam, mas amanhã estão ali, novamente.
E alguém me leva? Há com certeza uma mão que indique, que aponte a cada bifurcação. É só esperar.
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Quarta-feira, Julho 16, 2003
Olhar perdido
Ela olhava fixamente para aquele garoto à distância, mas não compreendia bem. Mais que a miopia e o astigmatismo, que embaçavam um pouco sua visão, o que a confundia era o olhar vago e perdido dele, em direção à praia.
Ela suspirava todos os dias. Tinha sonhos-clichês, como correr atrás dele num enorme campo de flores. Alcançá-lo, derrubá-lo e beijá-lo em meio às pétalas soltas. Tudo isso num mundo em sépia. E o jovem, que parecia um sonho distante e intangível, também suspirava.
Quem haveria de ser a garota que o fazia infeliz? Quem seria capaz de ignorar aqueles olhos lindos, a voz macia?, pensava ela. Um garoto, bom e inteligente, que a deixava feliz sempre que sorria e falava todas aquelas coisas que tanto gostava.
O mundo é injusto, concluiu. Ela estava ali, sonhando com e sofrendo pelas angústias de ambos. O garoto intangível mal percebia as palpitações que provocava. Pensava em outra que não pensava nele.
E ela ali, com sua visão embaçada e confusa, que os óculos não corrigiam.
Yes!
O Ervilhas foi abençoado pelo Santo de Casa! Valeu, cara. E apareça sempre!!
Cérebro de Ervilha
"São-paulino é como católico. Tem um monte, em todo lugar, mas praticante mesmo só meia dúzia"
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Terça-feira, Julho 15, 2003
NARCISO
Narciso era o cara mais desejado da cidade: todas as garotas eram loucas por ele.
E sempre foi assim, desde o começo. Quando nasceu, a primeira coisa que disseram seus pais foi "É a criatura mais linda desse mundo". Acabaram batizando o bebê de Narciso. Logo depois, o que parecia ser apenas uma corujice de pais se revelou um problema. A enfermeira, logo que o viu, quis trocar o bebê por seu Fusca 68. A mãe, ainda no leito do hospital, a mandou às favas. Com a recusa, a abnegada profissional seqüestrou o pequeno Narciso e só a encontraram, horas depois, num banco de praça, quase asfixiando o menino com tantos beijos. Esta seria apenas a primeira de uma série de ocorrências.
Na escola ele era sempre o aluno com as melhores notas. Não que fosse inteligente. Na verdade era o mais burro e faltava a metade das aulas. Mas acabava cativando tanto as professoras que estas davam sempre nota 10 para ele.
O tempo passou e ele cresceu. Mas a situação não mudou. Virou um conquistador insaciável, mas exigente. No seu currículo amoroso só constavam mulheres lindas e famosas. Cantoras, atrizes, apresentadoras de TV, modelos da Elite. Chegou-se a um ponto em que foi fixado na agência uma portaria, assinado pelo próprio John Casablancas, proibindo sua entrada. Mas as recepcionistas sempre ignoravam o aviso.
E foi num desses dias, em que voltava da agência, que algo estranho aconteceu. A fisionomia de uma pessoa na rua chamou a sua atenção. Correu a fim de ver melhor seu rosto. Foi quando teve um choque. Se apaixonara pela primeira vez. E à primeira vista. Não resistiu e foi ao encontro daquela criatura. Perguntou o seu nome:
- Apolo - foi o que respondeu.
Saíram juntos, sabe-se lá para onde. E nunca mais tiveram notícias dele.
Alguns dias depois, os amigos de Narciso foram à sua casa, para saber o por quê do sumiço. Foi então que souberam do ocorrido. A mãe de Narciso havia presenciado tudo.
Depois de muito tempo de reflexão, todos chegaram à uma conclusão: Narciso havia fugido com um irmão gêmeo, que todos imaginavam ter nascido morto. Pelo menos foi o que a enfermeira havia dito na época. Aliás, a mesma do Fusca 68.
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Segunda-feira, Julho 14, 2003
Ele procurou, procurou, mas não encontrou. Voltou pra sala, revirou tudo de novo. Os livros, as revistas, os jornais. Tentou até mesmo embaixo do vídeo-cassete. "Quando é que vou comprar um DVD?", pensou, enquanto mexia no aparelho velho, já sem tampa e cheio de poeira. O cabeçote estava tão sujo que não passava mais nada. Era capaz de cuspir a fita. Não achou. Largou o vídeo velho num canto e continuou fuçando tudo.
De tanto procurar, achou outras coisas. Uma nota de dez reais, uma porção de moedas, figurinhas do Campeonato Brasileiro ("quem trouxe isso pra cá?"), uma reportagem sobre a Angelina Jolie, devidamente ilustrada. Mas da foto dela, nada.
Voltou ao quarto. Abriu a caixinha, que ele chamava de Baú dos Tesouros. Muitas fotos. De outras garotas, do pai já falecido. Cartões postais de amigos, cartas importantes. Mas da foto, nada.
Teve um estalo. "A cozinha! Deixei na cozinha".
Foi para a cozinha. Em cima do microondas. Encontrou a foto. Ao lado da caixa de fósforos. Nela, Luísa estava linda como sempre. Uma pose natural, o sorriso abundante. Semblante tranqüilo. Sempre foi tranqüila, irritantemente tranqüila. Ele se exasperava, reclamava e ela só olhava, impassível. Com Luísa, não tinha bate boca. Ficava calada, ouvindo os resmungos. Até que dizia: "Calma, relaxa", "não é por aí", "não concordo com você, por isso, isso e isso", parecia um monge falando.
Até que um dia falou, sem perder a tranqüilidade de sempre:
- Cansei. Tô farta...
E assim foi. Ele havia se lembrado dela no dia anterior e, sem quê nem porque, ficou tomado de ódio. Tirou a foto do Baú, mas acabou largando na cozinha, pois o tinham chamado para um trabalho importante. Voltava, mas tinha esquecido onde deixara a fotografia. Deu mais uma olhada na foto, suspirou. Foi interrompido pelo telefone.
- Alô.
- César?
- Luísa?
- Eu mesma. Achou a foto?
- Sim, tá na minha mão.
- Que bom. Desculpa o comentário. Mas pensei que você fosse rasgar, jogar fora...
Ele olhou para a caixa de fósforos e deu uma risada amarga.
- Imagina! A foto tá tão legal que resolvi guardar.
- Cê manda pra mim?
- Claro. Deixo na portaria. Mas, só de curiosidade, porque pediu de volta?
- Uma pessoa me pediu.
- Ele é mais calmo que eu?
- Hein?
- É, não enrola. Ele é mais calmo que eu?
Alguns segundos de silêncio.
- E então?
- Não sei. Tenho que ver. Você também parecia um doce.
Pensou em resmungar, mas não lhe passou nada pela cabeça. Realmente não esperava ouvir algo parecido.
- Tá bem. Te mando amanhã, ok?
- Ok, brigada.
- De nada.
- César...
- Oi?
- Você ainda vai guardar outra foto. Bem mais bonita que essa!!
- Olha, num tô muito interessado...
- Vai por mim. Até mais, a gente se vê...
Desligou o telefone. Só então respondeu à Luísa.
- Espero que não...
Cérebro de Ervilha
"Conselho é bom, mas não cobro por eles. É trabalho voluntário"
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Momento blógui confessional, parte II
"When the first cup of coffe taste like washing up
She knows she's losing it, yeah she's losing"
B&S, pra variar. Agora troque o "she" por "he", e saiba como pode começar uma semana.
Dias vem e vão. Os jornais, livros e revistas se acumulam, a ponto de o prazer virar obrigação. Sabe a ansiedade de informação? Pois bem. Vejo os e-mails e mensagens sobre minha pessoa. Coisas boas, algumas ruins, algumas novidades, outras notícias velhas. E vários spams.
Dores de garganta, crise criativa, falta de algo bom pra escrever. Confesso que não me lembro da última vez que fiz um texto decente.
Espero ter um tempo razoável para escrever algo que preste. Estou devendo um conto pra um suplemento literário que deve nascer em breve. A história empacou num banco de praça e parece de lá não querer sair mais. Acho que vou ambientá-la toda na pracinha, mesmo.
Melhor não. O Manoel da Nóbrega já teve essa idéia. Há mais de 40 anos.
Tenham paciência com este. A próxima postagem será melhor.
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Quinta-feira, Julho 10, 2003
As muitas idéias que fervilhavam na minha cabeça - e que me levaram a criar este novo espaço - já se foram. Só eu, imbecil, não percebi que isto ia acontecer. Mas tudo bem. Acabei achando dois guardanapos com pequenos escritos. Um é um esboço de letra de música ou algo que valha. O segundo tem frases desconexas, por isso não aparecerão aqui.
E o melhor amigo do homem, principalmente no bar, é o guardanapo.
Passos
Dá-me um dia de luz
Dá-me um caminho de ventos
Uma estrada de tijolos vermelhos
Para trilhar com os passos leves
Que podem me seguir sem censurar
A moça que me olha é a mesma
Que me diz como penso
Penso como nos dias
Em que caminhava sozinho
Hoje um dia de luz tem sombra
Um instante de vento é moinho
Num por de sol com olhos vermelhos
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Terça-feira, Julho 08, 2003
Bom dia, boa tarde, boa noite!!
Esse aqui é mais um espaço criado por Fábio Mendes, na tentativa (provavelmente vã) de liberar espaço em seu Disco Rígido Cinzento. Aqui será um lugar para devaneios e muita subliteratura (pretendo retirar, sim, esse "sub" daí um dia desses). Coisas largadas que escrevi e continuarei escrevendo. Quem conhece meu blógui O Monoglota pode imaginar que isto aqui será uma versão ampliada das seções "Quem vê, pensa" e "Vida Besta". Espero que também seja uma versão melhorada. Bem-vindos!
Momento blógui confessional
Eu, por vezes, fico pensando: será que há quem receba da mesma pessoa três ou quatro e-mail por semana?
Sim, porque penso nisso toda vez que lhe escrevo para algumas pessoas. Tenho o maior prazer em receber e-missivas destas. Mas há casos em que fico sem saber se a resposta vem por prazer em responder ou por educação. É engraçado, porque com meus amigos mais chegados, para quem obviamente escreveria várias vezes por semana, converso pessoalmente, ou por telefone. Ou seja, não precisa. Para os mais distantes (no espaço), começo a mandar (e receber) muitas mensagens, mas com o tempo vão rareando. Ficam distantes não só no espaço, mas também no tempo. Como com as cartas de antanho e os telefonemas. Aliás, não devia ser assim, né?
Tenho amigos que me mandam muitas mensagens por semana, mas aí pelos menos 70% é com reportagens e artigos. Isso quando não são aqueles famosos "FWD: EM: RE: PQP:", seguidos de "Leia: fantástico", "Repasse se tem coração", "Urgente" e quetais. Nem sempre se falam como foi o dia ou o final de semana, ou sobre as músicas que têm ouvido ou sobre os filmes lindos que assistiu ou sobre coisas engraçadas/ nem tanto que protagonizaram/testemunharam. Insisto: não devia ser assim, né?
Fico pensando, nos meus raros momentos de autocrítica (sim, porque todas as pessoas têm algum hormônio em falta ou em excesso. O meu caso é o de falta de semancolina), se esse não é um pedido meio esdrúxulo. Na verdade, eu sou o campeão em pedir coisas sem sentido. Descobri, há alguns anos, que ganhar sozinho na Mega-Sena é o menos imbecil de todos.
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