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Sexta-feira, Junho 08, 2007
Algo realmente está diferente, mudado, quando o prolixo fica sem palavras, quando o falastrão perde a voz. Quando o turbilhão de idéias e imagens deixa de correr como rio e ficam represadas, mas nem por isso imóveis. As águas continuam agitadas, criando ondas, como se estivessem em mar aberto, ou formando correntezas, como um rio caudaloso.
A vida passa voando e sempre falta tempo para tudo, inclusive para abrir as comportas em textos confusos, mas cheios de energia. Nem por isso essa energia deixa de correr, como na primeira vez que surgiu, do nada. Ou quando a distância não planejada, por incrível que pareça, só a fez crescer ainda mais. Ela continua se movendo, batendo nas paredes da represa, mostrando estar muito viva.
As coisas estão diferentes, e incrivelmente belas, porque ela surgiu. Justamente quando eu não esperava, quando pensava preferir estar sozinho. E veio pra mudar meu mundo, minhas idéias, meu caminho. Sempre pra melhor, de uma forma que eu nunca imaginava ser possível, a não ser nas histórias de amor mais delirantes.
Taí uma surpresa que eu realmente não esperava receber, mesmo ciente de que a vida sempre prega peças na gente. E quão bom foi ter sido surpreendido.

postado por Fábio, 1:22 PM |
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Quinta-feira, Novembro 09, 2006
Brilho verde
Existe algo que os vidros embaçados no banheiro nos fazem lembrar com mais força, quando tomamos banho ou simplesmente pensamos na vida com o chuveiro ligado, enquanto o som continua ligado a todo volume. O rádio toca U2, mas você pensa em "Something" e "Yellow".
As músicas, sem avisar ou pedir licença, se desprendem de algum escaninho da mente e passeiam pelos nossos ouvidos, fazendo companhia à canção que realmente toca no aparelho e se confundindo com ela. Chega o momento em que não percebemos qual é a música que estávamos ouvindo.
Em seguida, você repara nas gotas descendo pelo box, e elas te fazem lembrar, tanto quanto as músicas. São lembranças tão boas quanto os dias atuais, mas que de alguma forma te remetem a tempos que pareciam guardados.
Há dias em que toda essa saudade retorna e as recordações desembocam na mesma foz. Como uma arma, disparada por vários gatilhos: uma música, uma frase, um filme. Tudo basta para detonar uma série de sensações que pareciam guardadas.
De onde vêm, que pareciam tão bem escondidas? De repente, surgem do nada e nos lançam para tempos quase perdidos, mas que se mostram tão intensos quanto antes. Sensações essas trazidas pelo brilho verde, que também surge enquanto observamos a chuva bater nas janelas ou no pára-brisa dos carros.
Enfim, são lembranças que, do nada, ganham cores cada vez mais fortes, até parecerem se tornar palpáveis. Trilhas belíssimas, viagens deliciosas, músicas sublimes. E os planos, que ganharam vida na mesma medida em que as lembranças se reuniam para explodir quando chamadas. Um indício de que há tanto a viver quanto a lembrar.
E tudo por um brilho verde, que ilumina cada pensamento, cada palavra escrita e cada nova idéia que brota da cabeça. Brilho verde que faz desses novos dias algo cada vez mais belo.
postado por Fábio, 5:08 PM |
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Quinta-feira, Julho 20, 2006
O TEXTO ABAIXO FOI ESCRITO POR MIM PARA O CADERNO ESPECIAL DA COPA DO MUNDO, VEICULADO NO MOGI NEWS DIA 9 DE JUNHO, INÍCIO DO TORNEIO. POR MOTIVOS TÉCNICOS, O CADERNO PASSOU POR UMA REDUÇÃO DE PÁGINAS E OS EDITORES DESTE ESPECIAL - EU E MEU AMIGO DENIS - OPTAMOS POR LIMAR NOSSAS COLUNAS. SEGUE O TEXTO:
Veterano de Copas
Disputar Copa do Mundo é mais que representar o Brasil dentro de um campo forrado pela grama e delimitado por quatro linhas brancas. É mais que vestir o sagrado manto amarelo e colocar em jogo nossa condição de melhores do mundo. Eu, que já joguei tantas Copas, sei bem como é carregar essa responsabilidade.
Em 1986, na minha estréia, tentei de tudo para que ganhássemos nossa segunda Copa no México. Passes para o Careca marcar os gols, ajuda para o Elzo e o Alemão na marcação e um apoio moral para o Zico, que vinha de uma séria contusão e precisava de ajuda.
Em 1990, tentei demover o Lazaroni, de todos os modos, de continuar com aquela idéia ridícula de manter o time com líbero. Se convencer o técnico a mudar o time, como ocorreu em 1958 e 1970 deu certo, porque não agora? Mas o homem era teimoso e a cada argumento meu ele respondia com umas palavras difíceis e que eu não entendia ¿ overlaping, ponto futuro ¿ parecia o Cláudio Coutinho falando. Definitivamente, era um caso perdido. Uma derrota injusta, e logo para os hermanos, parecia o castigo adequado para ele, mas não para nós.
Em 1994, finalmente nossos esforços deram resultado. Afinal, tínhamos Romário. Meus passes foram fundamentais para que o Baixinho brilhasse e nos tornássemos campeões. Afinal, saíamos daquela incômoda fila, que crescia ameaçadoramente e ameaçava nos tornar um Uruguai da vida.
Em 2002, também ajudei o Ronaldo a superar as críticas e o deixei várias vezes na cara do gol. Ele foi artilheiro e igualou o Pelé em número de gols em Mundiais. E meus esforços foram devidamente recompensados com as boas atuações e os gols que marquei contra a Inglaterra, justo no jogo mais difícil para o Brasil na Copa.
E 1998? Prefiro esquecer. O Zagallo teve a pachorra de me colocar no banco, preferindo um já combalido Bebeto, e nem quando o Fenômeno teve aquele piripaque ele se animou a me escalar. Assisti a derrota para a França de camarote e, admito, me senti vingado.
Mas disputei ainda outras Copas do Mundo. Eu entrava em campo ciente da responsabilidade que carregava. Em todos os jogos, eu deveria conduzir o time às vitórias tão esperadas. Cada campinho foi meu Estádio Olímpico. Cada árvore ao redor era uma arquibancada repleta de bandeiras, buzinas, choro e risadas. Os adversários da outra vila, descalços e de camisas puídas eram, na verdade alemães, argentinos e italianos, zagueiros implacáveis ou atacantes velozes e oportunistas, prontos a nos derrotar a qualquer vacilo. Mas estávamos sempre prontos, envergando a mítica Canarinho, marcando os gols que o povão pedia, nos bares, nas ruas, nas casas. A euforia era completa e, a cada gol, podia ouvir o grito de alegria das dezenas de milhões de brasileiros felizes.
E agora, são mais de 180 milhões de vozes, à espera de uma nova vitória, ávidas por cantar e gritar durante todo o Mundial. Eu já estou na Alemanha, de corpo e alma, pronto para entrar em campo, marcar gols e ajudar o Brasil a conquistar o hexacampeonato. Que assim seja.
postado por Fábio, 5:11 PM |
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Terça-feira, Abril 11, 2006
A MENINA BEGE
Érica
postado por Fábio, 9:23 PM |
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Terça-feira, Dezembro 27, 2005
Estradas, trilhas, caminhos
A estrada é uma poeira só. E à medida que passavam os carros, uma nuvem avermelhada cobre a visão. Olho para trás e vejo que o ônibus também joga essa nuvem para quem vem atrás. Do outro lado, porém, a visão está mais favorecida. Dá pra ver as muitas montanhas, os cursos d'água, as construções simples mas acolhedoras.
Com o correr dos quilômetros, o caminho volta a ser tranqüilo, sem tanta poeira. Neste trecho é possível ver toda a área com perfeição. Tudo muito verde, muito bonito.
Às vezes, nossa vida é como este caminho, chego a pensar. Por algum motivo nossos olhos se cobrem e, de repente, eis que vemos tudo. E todas as coisas soam claras, ganham sentido.
Há caminhos difíceis de se encontrar, trilhas escondidas entre folhas de arbustos, daquelas que não vemos à primeira vista, mesmo estando tão perto de nós. É aquele caminho que se encontra apenas quando não se quer mais procurar.
Mas há rotas que, logo depois de descobertas, se mostram largas, viçosas e limpidas. Tão cheias de beleza e vitalidade, com muito limo a ser criado. Caminhos que se deseja sem fim, por tão prazeroso que é poder percorrê-los. E também há caminhos que nos movem para frente, nos impelem a continuar sempre. Minimizam todas as dificuldades, servem de alento ao cansaço e eliminam todos os obstáculos. Estradas que tornam qualquer travessia, por mais longa que seja, uma experiência ímpar.
Caminhos que encontramos, mesmo quando não mais o procuramos. Estes são os mais belos, mais especiais, sempre iluminados por estrelas que ali estão para brilar por eles.
E então o tempo, esse conhecido, parece congelar. Como se quisesse eternizar os minutos, guardá-los para posteridade, com a serra, as árvores, os rios e a canção.
Sim, porque as canções estão sempre presentes. E há sempre uma especial para o momento. Ou surge alguma, do nada, e domina os pensamentos, colando-se definitivamente àquele momento.
Não faltam também conversas. Trilhas, pousadas, viagens futuras... os assuntos se sucedem e em cada um deles a mesma marca de alegria e leveza.
A estrada segue. E em dado momento não se vê o seu final, apenas as paisagens, que insistem em ser tão belas quanto a canção escolhida para o momento. Talvez, como ambas, sejam os dias que estão por vir.
postado por Fábio, 2:03 PM |
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Quarta-feira, Novembro 30, 2005
Cadernos
As folhas já estão no fim, as capas já estão amolecidas, e o espiral anda torto como os galhos de uma árvore, denunciando o quanto aquele caderno foi usado, carregado. Ele já serviu de estofo para os arroubos, a ansiedade ou o simples desejo de transformar passagens belas em linhas escritas. Mesmo assim, há alguns espaços, e eles vão sendo implacavelmente coberto, às vezes lentamente, mas na maior parte das vezes de forma frenética, em momentos de isolamento ou solidão, de alegria ou tristeza, em meio à música ou afogado no silêncio.
As idéias são transcritas em letras trêmulas, quase ilegíveis. Um pouco pela inabilidade mas muito pela emoção, pelo afã de tentar chegar o mais perto do intangível: transcrever emoções, dissecar sensações, descrever sentimentos. A cabeça gira como um pião, as idéias transitam em torno de si mesmas e ao redor de mil coisas. São discos, livros, DVDs, cartas, bilhetes, objetos que se multiplicam para afinal convergirem em um mesmo ponto: a lembrança de uma voz doce e lindos olhos verdes. E também de momentos "brilho eterno", que vão embalando as semanas que caminham mais devagar que de costume.
As palavras vão aos poucos se acomodando nos espaços vagos do caderno, que acompanhou praticamente todos os passos da história que hoje acolhe. As frases começam a se formar, enquanto são intercaladas por planos, expectativas. E eis que todo texto no caderno se vê acompanhado de pequenos projetos, como se os momentos vindouros pudessem ser planejados tal e qual uma planta de construção. Ou montados como um quebra-cabeças.
postado por Fábio, 5:58 PM |
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Quinta-feira, Novembro 17, 2005
Há algo no modo como ela anda, como meneia a cabeça, que me deixa feliz e ao mesmo tempo perturbado. Algo no tom de sua voz que é pura melodia, seja quando ri, canta, quando grita ou chora. E mesmo quanto está em silêncio, porque seus olhos falam por ela, e a voz é maviosa. Porque seus olhos verdes e vivos dizem tudo o que é necessário. E também tudo o que eu queria dizer.
Existe alguma coisa na sua maneira de caminhar, de se mover, que é como se o mundo andasse em slow motion ou todos os sons fossem ruídos quase inaudíveis. Ou ainda: como se o mundo fosse uma porção ínfima do nosso espaço, muito maior, mais rico, colorido e sonoro. Eu olho para o mundo que existe por trás da janela e ele é desbotado.
Há algo no modo como pensamos que lembra coreografias bem ensaiadas. Ou a imagem no espelho, em sincronia perfeita com nossos movimentos. As pausas, suspiros, caretas, risadas, muxoxos e resmungos. E os beijos, abraços, piadas internas. Tudo guardado devidamente em cada segundo, em cada fotografia, em cada espaço.
Em algum lugar deve haver explicação para o que se move, o que se ouve, o que se diz. E também para o que sente, cada vez maior e mais forte. E também difícil de se explicar, porque é algo que não se diz, apenas vive.
postado por Fábio, 8:17 PM |
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Segunda-feira, Outubro 17, 2005
Quatro dias
Quero ler palavras escondidas
Andar por caminhos felizes
Narrar acontecimentos perdidos
E cenários de muitas matizes
Vejo belezas em cada passo
Ouço canções a todo instante
Em cada percurso que faço
Levo uma luz bela, radiante
Me embalo em uma dança
Sorrio com belas surpresas
E resgato alguma lembrança
Pois assim, qualquer lugar
Guardará mil belezas
E várias histórias pra contar
postado por Fábio, 9:04 PM |
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Quarta-feira, Agosto 31, 2005
Espera
Os dias vindouros vão sendo, não de hoje, montados. Um a um, como o quebra-cabeças da infância. Centenas, talvez milhares de peças que, sozinhas, não fazem muito sentido para quem as vê de longe. Mas quem as manuseia sabe que a cada um lhe cabe um lugar, um encaixe com outra peça. E disso surgem blocos, fileiras, figuras e traços. Até que temos uma paisagem completa, com tudo aquilo que se esperava. Flores, árvores, rios, estradas e trilhas. Algo que já se via na própria caixa, uma prévia do que nos aguarda o futuro, aqui sempre limpo, belo e brilhante.
Ou ainda: uma planta de construção, formada por linhas harmoniosas e ângulos precisos, sem deixar de ser, ao mesmo tempo, inventivos e belos. O retrato de um plano próximo, que por mais bem previsto que seja, sempre nos surpreende, nos arrebata, com cada nova descoberta e cada bom momento, reservado pelas pequenas coisas. Aquelas que sempre valem mais, muito mais do que aparentam.
Talvez os dias futuros sejam uma bela viagem, onde mesmo as passagens mais prosaicas ganham contornos de instantes inesquecíveis. Os minutos especiais ganham uma trilha sonora, e cada conversa, cada beijo e abraço se eternizam de todas as formas possíveis, prontos para se materializarem sempre que invocados. E serem repetidos sempre que a saudade bater mais forte.
Enfim, os próximos dias podem assumir formas mil, cada qual mais especial em sua maneira de ser, mas todas elas trarão sempre a mesma marca de algo que irá se estender, até perder-se de vista.
postado por Fábio, 1:23 PM |
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Terça-feira, Agosto 02, 2005
Caixas
Ele abre a caixa, onde deposita suas mais recentes lembranças. Frases, versos, imagens e sons. Tudo isso representado em vários e pequenos objetos, recheados de uma letra redonda e bonita. Mexe em alguns envelopes, folhas, cartões e fotos ali guardados. Evidentemente, há muito mais coisas contidas ali do que se pode supor à primeira vista.
Sempre gostara de caixas. Guardara nelas todas as coisas que possuía, desde criança. Começou na mais tenra idade, guardando seus brinquedos e carrinhos. Em seguida, suas figurinhas, times de botão e bolinhas de gude. Depois, seus livros, cadernos e trabalhos escolares.
O tempo passou e novas prioridades surgiram em sua vida, conseqüentemente, mais coisas a serem guardadas, mas as caixas continuavam ali, guardando agora disquetes, manuais, cartilhas. Suas caixas guardavam mais que simples objetos. Eram também a síntese de sua personalidade e um registro de sua evolução, de sua passagem da infância para a adolescência e desta para a vida adulta. Ali ele guardava hobbies recentes e outros nem tanto. Amigos novos e antigos. Nas caixas ele guardou seus recortes de jornais com matérias sobre futebol, as revistas de video game, as publicações musicais, os livros e os CDS.
Lembrou daquilo enquanto remexia em sua mais nova caixa, cheia de coisas novas, mas ainda com muito espaço a ser preenchido. Uma nova caixa, que surge em tempos de estantes, escrivaninhas, armários, racks. Era como se ele voltasse no tempo e voltasse a ser o mesmo garoto de antes, que amava as coisas ao seu redor como ninguém mais. Mas afinal, era assim que se sentia: guardando pequenos tesouros que não têm preço, mas que podem ser vistos e lembrados a todo instante.
Era uma nova caixa, sim. Com muito espaço a ser preenchido, nos dias vindouros. Muitos objetos ainda iriam integrar naquele espaço, assim como hoje o faz uma pequena pulseira azul, grande como só as coisas discretas sabem ser.
postado por Fábio, 11:14 AM |
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Quarta-feira, Junho 29, 2005
"Dá pra ver uma réstia de luz, sim", constatou Cláudio. E era possível vê-la passar pelas frestas deixadas pelas nuvens. Em pouco tempo, a Lua haveria de aparecer. A impressão que se tem é a de que ela vai se esgueirando, embusca de uma brecha, um espaço onde ela possa ficar e iluminar a todos.
Alguns segundos e, ao olhar novamente para o céu, se verá outro cenário: já não há mais nuvens. Todos jogadas pelo vento, vão se afastando. A Lua emite uma luz tão bela e intensa, que por vezes parece mudar de cores. A Lua é a mesma para todos. Agora, ela está aqui, mais tarde visitará outras pessoas. E depois outras, e mais outras. Mas interessa a Cláudio apenas saber se Luiza a vê agora, neste exato momento. Ele checa as horas e descobre que é possível. "Ela poderá ver a mesma Lua colorida e fugidia que contemplei? Ou enxergará outra?", está era sua dúvida. "Será que olha no mesmo momento que eu, pensando nas mesmas coisas?".
Cláudio abre um pouco mais a janela e estica o pescoço, para tentar observar o céu. Vê estrelas ainda não ofuscadas pelo luar, que tentam ganhar seu espaço. Ao ver as estrelas, tão longe uma das outras, lhe vêm à mente as grandes distâncias. E uma belíssima estrela, tão longe mas ainda assim presente em lembranças fortes. A Lua agora é soberana no céu e a tudo ofusca.
Ele continua a olhar para o céu, imaginando pensamentos sincronizados, frases em uníssono, fruto de mentes que pensam e sonham juntos. De repente as nuvens retornam e cobrem as poucos a Lua. Sua luz, no entanto, ainda passeia pelo céu, refletindo onde houver espaço. Fecha a janela e sente reverberar dos ouvidos até o fundo da mente uma voz doce. "Veio com o Luar", imaginou ele. É talvez uma uma forma de saber que ela também está a observar o céu.
postado por Fábio, 12:08 PM |
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Segunda-feira, Maio 30, 2005
Já tinha um texto pronto para postar aqui, mas hoje acordei com um céu tão supimpa que me lembrei de um texto que escrevi para este blógui, no ano passado. Ele foi postado em 18 de maio de 2004
Do outono
Abrir a janela logo cedo é um ritual que pode reservar algumas surpresas. Como quando você acorda ofuscado pela claridade que surge de fendas na janela mas, quando a abre, encontra o céu nublado. Por isso, talvez, quando afastamos a cortina e sentimos a luz do sol, junto com a brisa da manhã no nosso rosto, a sensação é um misto de júbilo e alívio.
Não há clima melhor que o das manhãs de outono. Céu limpo, sem uma nuvem sequer, tendo a companhia somente do velho astro, bola de fogo nos protegendo do vento frio. Nada de chuva, nada de mormaço nem de suor. Depois de uma noite fria, embrulhado em cobertores, a vontade de se levantar é quase zero. Mas quando levantamos... ah, que maravilha!
A primavera é bela apenas onde nascem flores. Por aqui, não as vemos com freqüência. Fora o excesso de chuvas, que também nos aflige no verão. O inverno é inclemente e a cena que me vem à cabeça são das pessoas sem teto e sem cobertor, tiritando nas ruas buscando o calor dos jornais, ou mesmo o humano. Por isso o outono.
Folhas amareladas não têm a mesma beleza em outras estações e em apenas uma época do ano é possível caminhar vagarosamente nas ruas sem se exasperar. Os beijos no outono não se tornam tão lascivos como no verão. Nem demasiado doces, como na primavera. Mas são os mais verdadeiros, porque exprimem sentimentos e anseios que cultivamos durante todo o ano, e não apenas por alguns meses. Também não são uma proteção térmica, como os do inverno.
As músicas ficam mais belas no outono. Os poemas, mais intensos. Viver o outono é viver dias melhores e também querer ser uma pessoa melhor.
postado por Fábio, 10:12 AM |
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Quarta-feira, Maio 11, 2005
Minha vida daria um post
Porque na falta de sol, ao cair a noite, acende-se uma lanterna. É a lembrança, que guardamos em um canto especial do coração e agora o deixamos à tona. Assim, vamos iluminando o caminho, que antes andara escurecido, com seu traçado delimitado apenas pelo som dos meus passos. E eu caminho. Caminho como sempre, mas penso como nunca. Em uma voz doce, em belos olhos verdes, uma combinação de pessoa toda especial, como mesmo minhas mais imaginativas perspectivas não conseguiram dar conta.
O rosto fica pesado pela saudade, mas sempre há espaço para um sorriso, provocado por belas lembranças. Que hão de vir logo, é o se costuma pensar em momentos como esse. Hoje não poderia ser diferente.
E tudo ganha um significado especial, por tudo o que representou, seja como trilha sonora, plano de fundo ou figurante de uma história. Estão todos aqui, está tudo perto, ajudando-me a lembrar, a sentir cada vez mais saudades ou a aguardar seu retorno.
O vento que bate e machuca sabe também ser suave. Se venta mais forte, eu fecho os olhos, mas não oculto meu rosto. É como se o vento viesse para me aliviar, para tirar um pouco do meu peso. E talvez seja assim porque o vento vem de longe, trazendo as mensagens que quero ver, ler e ouvir. E assim sigo no caminho antes escurecido. Porém, desta vez mais feliz, porque o vento trouxe as mensagens vindas de longe, uma lanterna a mais para iluminar meu caminho.
postado por Fábio, 11:35 AM |
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Sábado, Abril 30, 2005
As ruas estão agitadas, cheias de barulho, carros e gente. Mas estão todos carrancudos. O céu está cinzento e uma fina garoa cobre leventemente o ar. Aos poucos dá pra sentir o casaco cada vez mais úmido. Passo a mão sobre ele, o que obviamente não resolve o problema.
Os carros passam com velocidade. A rua é irregular e alguns minutos bastam para que as poças brotem como flores em um campo fértil. Um carro joga água para todos os lados, mas não me acerta. A água passa perto o bastante, no entanto, para chamar a minha atenção e me tirar do estado de quase transe. Paro e olho, mas alguns segundos bastam para que eu não veja mais nada. Todas as imagens como que ficam estáticas, sem movimento, sem calor, sem vida.
Esqueço então as poças, os carros e todo o resto. Afinal de contas, estarei molhado de qualquer forma. E o piloto automático sempre me impediu de ser atingido por algum veículo, não importa se eu estivesse dormindo ou apenas distraído. Continuo então a pensar em quilômetros e metros, meses e segundos.
O tempo, de repente, parece que resolveu ser meu companheiro de todos os dias, comportando-se de acordo com meu estado de espírito. E ultimamente os dias vêm se alternando entre o calor inclemente e a chuva incômoda. Esta mesma que surge no lugar da fina garoa e começa a me molhar a alma. E fico a pensar por quanto tempo o sol esteve brilhando e o quanto eu me senti feliz por
poder viver aquele calor.
Olho mais uma vez para cima. As nuvens vão se acumulando e não parecem estar dispostas a dar trégua. Desisto de escapar dela e apenas caminho, como já fazia anteriormente. Cada vez mais absorto em pensamentos. E esperando, antes mesmo de chegar o inverno, que chegue a primavera. E assim, farei de tudo para esquecer o outono, que tanto aprecio. E aguardo as próximas estações com um fervor ainda maior que o de costume.
postado por Fábio, 2:01 PM |
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Segunda-feira, Abril 25, 2005
Meninas beges
Audrey Tautou
postado por Fábio, 12:45 PM |
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